Sócio da SPX Capital analisa desafios da política econômica do governo federal
Rogério Xavier afirma que juros altos e dívida pública em alta limitam a condução econômica do Executivo.

O sócio-fundador da gestora SPX Capital, Rogério Xavier, afirmou em artigo publicado na plataforma Substack que o próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentará desafios econômicos derivados do elevado endividamento público, da rigidez orçamentária e dos juros reais em patamares altos. Segundo a análise do executivo, o quadro atual é mais complexo do que o verificado no primeiro mandato de Lula, em 2003, período em que o Brasil se beneficiou do avanço no preço de commodities e do aumento dos superávits comerciais.
Na avaliação de Xavier, as condições do mercado internacional e a estrutura fiscal brasileira mudaram de forma expressiva em relação ao início dos anos 2000. Embora o país conte atualmente com reservas internacionais sólidas e menor vulnerabilidade cambial na dívida pública, a necessidade de construir maiorias no Congresso Nacional e entregar crescimento econômico impõe limites à atuação governamental.

O gestor apontou que a manutenção da política monetária em terreno restritivo ocorre para combater a inflação e suas expectativas, o que eleva o custo do financiamento do Tesouro Nacional. Para o executivo da SPX Capital, uma desaceleração mais acentuada da atividade produtiva tende a reduzir as receitas de arrecadação em um momento no qual os gastos obrigatórios continuam em expansão.
Com a resistência a aumentos na carga tributária e ao corte de despesas, Xavier avalia que o governo pode buscar alternativas em mecanismos parafiscais, como o uso de bancos públicos, concessão de garantias e subsídios ao crédito. Segundo ele, o avanço contínuo do custo da dívida pode levar o mercado a exigir prêmios de risco mais elevados, diminuindo a eficácia de medidas de estímulo e pressionando o setor privado.
Apesar do alerta, a publicação da SPX Capital pontua que a implementação de um programa fiscal capaz de conter a trajetória de gastos pode alterar as expectativas de investidores e reduzir o custo do capital. Xavier acrescentou que a atuação do Congresso em impor limites orçamentários e a decisão do Poder Executivo em preservar os recursos dos bancos estatais são fatores determinantes para o equilíbrio das contas públicas.
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