Lula descarta corte de gastos e aposta no crescimento econômico
Presidente afirmou em entrevista que o foco de um eventual novo mandato será o estímulo à economia em vez da redução de despesas públicas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira, em entrevista à TV Globo, que rejeita a adoção de cortes de despesas para conter a dívida pública em um eventual novo mandato. O chefe do Executivo afirmou que a expansão da atividade econômica constitui o principal instrumento para melhorar os indicadores fiscais do país, argumentando que medidas de contenção de gastos costumam penalizar a população de baixa renda.
A declaração foi concedida após questionamentos sobre análises de economistas acerca da sustentabilidade das contas públicas e da necessidade de ajustes para viabilizar a redução das taxas de juros. Em contraposição às críticas, o presidente defendeu que a concentração de renda prejudica o desenvolvimento e que a prioridade deve ser a circulação de recursos entre os trabalhadores e pequenos empresários.

Durante a entrevista, o mandatário detalhou iniciativas voltadas para a renegociação de débitos da população e de microempreendedores. O governo planeja implementar um modelo inspirado no programa Desenrola para alcançar dívidas de até 4 mil dólares atrasadas há mais de dois anos, com previsão de aquisição desses valores com deságio pela União e realização do primeiro leilão em novembro.
Além do foco no consumo e no microcrédito, o presidente ponderou que o endividamento público pode ser aceitável quando direcionado à construção de ativos produtivos, como ferrovias, hidrelétricas e portos. Segundo a administração federal, os investimentos em infraestrutura geram retorno por meio da arrecadação e estimulam a produtividade a longo prazo.
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