Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Solo encharcado, e não o vento, faz araucárias gigantes tombarem no Sul do Brasil

No alto da serra catarinense, a rotina da família Souza começa com barulho de quadriciclos cruzando o campo gelado em direção a uma clareira de chão batido. O trajeto é curto, mas termina diante do tr...

Por Reprodução30/07/2026 às 18:002 min de leitura
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Solo encharcado, e não o vento, faz araucárias gigantes tombarem no Sul do Brasil
Imagem: Reprodução

No alto da serra catarinense, a rotina da família Souza começa com barulho de quadriciclos cruzando o campo gelado em direção a uma clareira de chão batido. O trajeto é curto, mas termina diante do tronco de uma árvore tão largo que um adulto não consegue abraçá-lo: mais de três metros de diâmetro na base e uma cavidade em que, no passado, tropeiros e lavradores se abrigavam da chuva. É ali que está o “Pinheirão” de São Joaquim, hoje medido como a maior araucária conhecida no Brasil, com 39,2 metros de altura e 106,6 metros cúbicos de volume de madeira.

“Minha família cuida dessa araucária há aproximadamente 140 anos”, conta Antônio Luciano de Souza, proprietário da fazenda batizada em homenagem à árvore. “Meu avô falava que ela era uma gigante da natureza. Que era uma araucária da sorte porque venceu a ganância do homem, eles não tinham serras grandes o suficiente para cortá-la.”

A descrição combina com o retrato científico feito anos depois por pesquisadores, que registraram o tronco com 3,25 metros de diâmetro à altura do peito e cavidades internas de vários metros quadrados. “A visitação das pessoas começou em 2012. Não podia limitar ela somente para minha família, seria egoísmo da minha parte”, diz o proprietário, revelando que o turismo chegou antes da certificação.

Para ele, receber turistas virou uma forma de educação ambiental. “Isso gera um incentivo às futuras gerações sobre a preservação das araucárias.” Não existe um protocolo oficial de proteção ou manutenção para a árvore.

O proprietário conta que o cuidado principal é controlar o acesso, com todas as visitas feitas sob a supervisão de um guia da fazenda para que nenhum um dano seja feito ao exemplar. Mesmo assim, Souza admite um temor: “Minha maior preocupação é a queda da araucária, assim a gente se preocupa muito porque contra a natureza não existe defesa.”

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