Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Rastreamento de aparelhos criptografados revela sociedade milionária no narcotráfico

A quebra da criptografia de aparelhos usados por integrantes do esquema liderado pelo ex-major da Polícia Militar Sergio Roberto de Carvalho revelou a existência de uma joint venture (uma espécie de c...

Por Reprodução22/07/2026 às 18:003 min de leitura
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Rastreamento de aparelhos criptografados revela sociedade milionária no narcotráfico
Imagem: Reprodução

A quebra da criptografia de aparelhos usados por integrantes do esquema liderado pelo ex-major da Polícia Militar Sergio Roberto de Carvalho revelou a existência de uma joint venture (uma espécie de consórcio) com o traficante belga Flor Bressers, conhecido como "Corta Dedos". Este teria pago 99 milhões de euros ao brasileiro em dez meses por metade do carregamento de cocaína importado do país. A movimentação veio à tona após autoridades europeias associarem uma empresa de fachada, usada para importar a droga escondida em minério de manganês, aos apelidos utilizados pela dupla na rede de comunicação.

De acordo com a polícia federal belga, no dia 5 de abril de 2020, cerca de 6 meses antes da deflagração da operação Enterprise pela PF no Brasil e na Europa, a polícia da Holanda apreendeu 3,2 toneladas de cocaína destinadas a uma empresa de dessalinização de água do mar na Bélgica e a uma empresa da República Tcheca. A droga chegou ao porto de Roterdã a bordo do navio "Marseille", escondida em meio a 14 contêineres de minério de manganês, vinda do Brasil. Em cinco dos contêineres, havia cocaína.

As investigações revelaram que a empresa Kriva-Rochem, localizada na Antuérpia e registrada no nome de um "laranja" octogenário, havia importado grandes quantidades de cocaína pelo menos desde 2019. Durante uma operação de busca e apreensão na empresa belga e outros endereços ligados à quadrilha, foram encontrados diversos telefones celulares criptografados ou embalagens contendo números de Imei (o código único para cada aparelho celular). É aí que a história do ex-major brasileiro e da investigação belga se misturam com a da operação Enterprise e daquela que é considerada como a maior investigação na história da Europol, com mais de 6,5 mil presos, 30,5 milhões de comprimidos de drogas químicas, 103,5 toneladas de cocaína, 163,4 toneladas de maconha, 3,3 toneladas de heroína, e 900 milhões de euros apreendidos, segundo balanço divulgado em junho de 2023.

Além disso, as autoridades apreenderam 971 veículos, 83 barcos, 40 aviões, 271 propriedades ou casas, 923 armas, bem como 21.750 cartuchos de munições e 68 artefatos explosivos. De rescaldo, está em processo, na Bélgica, o julgamento do brasileiro Sergio Roberto de Carvalho, conhecido como "Pablo Escobar brasileiro” e apontado pela Interpol e pela PF como um dos maiores narcotraficantes do mundo.

O julgamento dele tem previsão de ser retomado em 7 de setembro. A reportagem da Gazeta do Povo procurou advogados do major no Brasil, mas não conseguiu contato. Na Bélgica, os defensores afirmam que ele é inocente.

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