Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Quem é Ricardo Magro, o homem que deve R$ 52 bilhões no Brasil

O dono do Grupo Refit, Ricardo Andrade Magro, 51 anos, não estava no Brasil para acompanhar as notícias sobre a operação Sem Refino, que bloqueou R$ 52 bilhões em ativos e suspendeu as atividades do c...

Por Reprodução09/06/2026 às 12:003 min de leitura
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Quem é Ricardo Magro, o homem que deve R$ 52 bilhões no Brasil
Imagem: Reprodução

O dono do Grupo Refit, Ricardo Andrade Magro, 51 anos, não estava no Brasil para acompanhar as notícias sobre a operação Sem Refino, que bloqueou R$ 52 bilhões em ativos e suspendeu as atividades do conglomerado de combustíveis, no mês passado. Ele não retorna oficialmente ao Brasil desde 2018 e é considerado foragido internacional com Difusão Vermelha da Interpol, alerta global para localizar e prender fugitivos provisoriamente. Para alcançá-lo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a pedir ajuda a Donald Trump.

Magro reside nos Estados Unidos. A operação Sem Refino expôs o tamanho do problema: o maior devedor de impostos do Brasil construiu, ao longo de décadas, uma suposta rede de proteção política que atravessa o Congresso Nacional e governos estaduais. Além disso, Magro também é suspeito de ter ligações com o crime organizado, hipósete investigação pela Polícia Federal na operação Carbono Oculto, que investiga o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e no mercado financeiro para lavagem de dinheiro.

Paulistano, formado em Direito pela Universidade Paulista (Unip) com especialização em direito tributário, Magro começou a carreira como advogado de postos de bandeira branca — aqueles sem exclusividade de marca. A família controlava uma rede de postos da bandeira Esso, os postos Tigrão, que enfrentaram dificuldades nos anos 1990 com a reestruturação do mercado de combustíveis. Em 2008, Magro assumiu o controle da refinaria de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro.

À época, um dos centros de processamento mais antigos do país já estava mergulhado em dívidas de tributos e salários. O investimento para retomar as atividades foi de cerca de R$ 100 milhões, aplicados na modernização do parque de refino e estocagem. Segundo a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), as dívidas do conglomerado Refit — somando empresa, distribuidoras vinculadas e pessoas físicas — totalizam R$ 52 bilhões, sendo 94% desse passivo, ou R$ 48,8 bilhões, concentrado na própria refinaria.

Segundo as Procuradorias-Gerais de São Paulo e Rio de Janeiro, a sonegação de ICMS soma R$ 24,4 bilhões nos dois estados, os mais afetados pelas operações do grupo. A estrutura do grupo envolve offshores em jurisdições de sigilo societário, trusts, fundos de investimento e empresas de fomento mercantil, segundo a decisão do STF. De acordo com a PF, os fundos operavam para absorver créditos das distribuidoras e devolver recursos ao próprio grupo sob aparência lícita — mecanismo clássico de lavagem de capitais.

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