Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Prevenção que não é paternalismo: os programas que afastam jovens do crime com resultado

Aos 14 anos, Júlia* morava na zona sul de Porto Alegre e quase não ficava em casa. A relação com a mãe era tensa, as brigas frequentes, o silêncio entre as duas pesado. Foi nesse vazio que ela se envo...

Por Reprodução18/05/2026 às 18:002 min de leitura
Compartilhar:WhatsAppTelegramXFacebook
Prevenção que não é paternalismo: os programas que afastam jovens do crime com resultado
Imagem: Reprodução

Aos 14 anos, Júlia* morava na zona sul de Porto Alegre e quase não ficava em casa. A relação com a mãe era tensa, as brigas frequentes, o silêncio entre as duas pesado. Foi nesse vazio que ela se envolveu com o tráfico.

Em 2024, aos 15 anos, passou sete meses internada na Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Sul. Quando saiu, nas palavras dela, "não queria nada com nada". Hoje ela tem 16 anos, carteira assinada e está no primeiro ano do ensino médio.

Trabalha na área administrativa do Centro de Integração Empresa-Escola do Rio Grande do Sul (Ciee-RS), a mesma instituição que coordena o programa que a ajudou. O nome dela é fictício, mas a história é real. Histórias como a de Júlia existem em outros estados, em programas diferentes, com metodologias distintas.

O que a Gazeta do Povo encontrou ao mapear iniciativas brasileiras que funcionam de verdade para tirar jovens da criminalidade é que todas partem do mesmo lugar: o jovem precisa se sentir acolhido por quem ele é — e não pelo que ele faz. E podem servir de inspiração aos pré-candidatos nas eleições 2026 para priorizar iniciativas engajadas do poder público voltadas à infância e adolescência com o propósito de tornar o Brasil um país mais seguro, colhendo frutos na educação, na segurança pública e na cidadania. No Brasil, 47,8% dos 45.

747 homicídios registrados em 2023 vitimaram pessoas de até 29 anos — uma média de 60 jovens assassinados por dia, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A taxa de reincidência no sistema prisional adulto chega a 80%. Os programas que aparecem nesta reportagem registram um outro lado da moeda.

E têm outra coisa em comum: viraram políticas públicas, o que permite que sobrevivam a trocas de governo. O nome de Júlia* foi alterado para preservar a identidade da adolescente.

Fique por dentro das principais notícias no WhatsApp

Receba em primeira mão alertas de política, economia e TV ao vivo.

Quero receber
Compartilhar:WhatsAppTelegramXFacebook

Leia Também