Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Minas deve produzir quase metade do café do Brasil em 2026

Minas Gerais vai produzir quase metade do café brasileiro em 2026. A projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) aponta safra de 32,4 milhões de sacas no estado — crescimento de 25,9% sobr...

Por Reprodução31/03/2026 às 18:004 min de leitura
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Minas deve produzir quase metade do café do Brasil em 2026
Imagem: Reprodução

Minas Gerais vai produzir quase metade do café brasileiro em 2026. A projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) aponta safra de 32,4 milhões de sacas no estado — crescimento de 25,9% sobre o ano anterior. Com isso, Minas deve saltar de 45,5% para 49% da produção nacional de café arábica, consolidando uma hegemonia mesmo com os recentes desafios globais.

O resultado combina bienalidade positiva das lavouras (ciclo natural de maior produtividade), chuvas favoráveis durante o enchimento dos grãos (fase em que os frutos desenvolvem tamanho, peso e sabor) e expansão das áreas plantadas nos últimos anos. Mas o cenário não é só de otimismo: conflitos no Oriente Médio encarecem logística e insumos, enquanto o custo Brasil — juros altos, legislação trabalhista defasada e infraestrutura ruim — segue pressionando produtores. "Nossa expectativa é sempre positiva.

Em 2026, a tendência é de termos uma safra maior", afirma Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da maior cooperativa de cafeicultores do país, a Cooxupé. São Paulo, que também tem predominância de café arábica em sua produção, fica em terceiro lugar no levantamento do Conab, com previsão de produção de 5,5 milhões de sacas de café. Em segundo lugar está o Espírito Santo, com previsão de 19 milhões de sacas e predominância do café do tipo Conilon.

Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a produção mineira segue concentrada em regiões tradicionais: o sul e o centro-oeste do estado devem responder por cerca de 12 milhões de sacas. Já a zona da mata, rio doce e região central devem somar aproximadamente 9,7 milhões de sacas. Entre os desafios que estão na previsão do presidente da cooperativa, o mercado internacional e aspectos geopolíticos ficam em destaque.

O aumento da produção deve ser acompanhado por crescimento nas exportações. Porém, o desempenho dependerá também da oferta global, especialmente de países concorrentes como Vietnã e Colômbia. “Pensando internacionalmente, existe impacto no preço do petróleo que, sem dúvida nenhuma afeta.

Nós estamos entrando numa safra e durante a safra há um aumento no consumo de combustível. Então impacta bastante no custo de produção, de colheita e pós-colheita”, afirma o vice-presidente da Cooxupé, Osvaldo Bachião Filho. De acordo com boletim da corretora de café Carvalhaes, conflitos no Oriente Médio têm pressionado rotas marítimas, elevando custos logísticos e impactando o mercado global de café.

Os mesmos conflitos impactam também nos insumos da produção, como fertilizantes e combustível. A Cooxupé, que em 2025 destinou 4,8 milhões de sacas para a exportação, espera uma retração para este ano. O volume previsto para o mercado externo deve ficar na casa dos 4,4 milhões, retração de 8,33%.

“Nunca tivemos tão pouco estoque de café de cooperados, com índices próximos a zero, o que dificulta uma perspectiva mais positiva no que se refere à exportação. Por isso estamos sendo comedidos. Eu acredito que o ano de 2026 vai ser mais difícil que 2025, também pelas incertezas geopolíticas”, destaca o presidente da Cooxupé.

O vice-presidente da cooperativa reforça, ainda, a preocupação com a manutenção do mercado externo, que fica enfraquecido nesses momentos. Bachião Filho vê com preocupação a queda das exportações brasileiras e afirma que é preciso cuidar desse mercado. “O que a gente está procurando é manter para os nossos clientes um bom relacionamento, que atenda prazo e qualidade.

A gente precisa cuidar muito bem desses clientes que o Brasil conquistou ao longo das últimas duas décadas, para não jogar fora um mercado que foi muito difícil de conquistar. Os números mostram, nesses últimos seis meses, um crescimento muito grande dos arábicos das outras origens, em relação aos arábicos brasileiros, e isso não é bom para o Brasil”, comenta ele.

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