Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Mexilhão-dourado avança no Rio São Francisco e preocupa hidrelétricas

Molusco originário da Ásia foi encontrado em trechos do Rio São Francisco, levantando alertas sobre impactos em hidrelétricas e na fauna local.

Por Redação WebTV Brasil22/10/2026 às 15:042 min de leitura
Fonte: Gazeta do Povo (Leia)
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Mexilhão-dourado avança no Rio São Francisco e preocupa hidrelétricas
Imagem: Gazeta do Povo

Pesquisadores da Universidade Estadual de Montes Claros registraram cento e treze exemplares do mexilhão-dourado no Rio São Francisco, em Minas Gerais. Os animais foram encontrados entre julho de dois mil e vinte e quatro e abril de dois mil e vinte e cinco, em expedições realizadas em municípios como São Francisco e São Romão. O dado marca a primeira aparição da espécie no Alto Médio São Francisco, a cerca de mil quilômetros do registro anterior mais próximo, localizado na região da barragem de Sobradinho.

A distância entre os pontos indica um deslocamento mais rápido do que o previsto pela correnteza. Segundo os autores do estudo, a ausência da espécie em trechos intermediários e no reservatório de Três Marias afasta a hipótese de dispersão contínua pelos rios. A principal suspeita recai sobre o transporte acidental em pequenas embarcações, barcos de pesca e equipamentos que circulam entre diferentes bacias hidrográficas.

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O mexilhão-dourado é uma espécie exótica introduzida na América do Sul por meio da água de lastro de navios cargueiros. Sem predadores naturais expressivos no Brasil, o molusco apresenta alta capacidade de reprodução e se fixa em superfícies rígidas submersas. O Ibama aponta que larvas invisíveis a olho nu e exemplares adultos grudados em cascos facilitam a expansão silenciosa do animal por bacias brasileiras.

A presença da espécie representa riscos para a infraestrutura de geração de energia e captação de água. Conforme os pesquisadores, as colônias densas podem obstruir tubulações de usinas hidrelétricas, sistemas de irrigação e redes de pesca, gerando custos adicionais com manutenção e limpeza. No âmbito ambiental, o organismo filtrador compete com espécies nativas por alimento e espaço, alterando o ecossistema aquático.

Especialistas reforçam que a erradicação do molusco após a instalação das colônias é considerada inviável com os métodos atuais. Diante disso, o monitoramento constante e a higienização de embarcações e equipamentos de pesca continuam sendo as principais recomendações para evitar a contaminação de novos trechos do Rio São Francisco.

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