Metrópoles e Folha de S.Paulo trocam acusações sobre influência de banqueiro
Metrópoles acusa Folha de adiar texto após pagamento a consultor, enquanto o jornal nega a interferência e aponta retaliação.

O portal Metrópoles e o jornal Folha de S.Paulo trocaram acusações nesta sexta-feira, 16 de outubro, sobre a interferência do banqueiro Daniel Vorcaro na cobertura jornalística de ambos os veículos. O Metrópoles publicou uma reportagem apontando que Vorcaro pagou R$ 1 milhão a um consultor para atrasar e amenizar um texto publicado pela Folha em agosto de 2024. Em resposta, a Folha classificou a acusação como uma retaliação mentirosa a apurações prévias sobre a conduta do portal.
A reportagem do Metrópoles cita mensagens entre Vorcaro e o consultor de comunicação Guilherme Barros. Nas conversas, o empresário propôs a quantia para conter a divulgação de uma matéria sobre o Banco Master. Segundo o site, o consultor relatou ter contatado o diretor de Redação da Folha, Sérgio Dávila, e a publicação ocorreu 22 dias após o contato inicial, incorporando dados positivos sobre o banco. O comprovante do repasse financeiro de R$ 1 milhão ao intermediário foi divulgado no texto.

A Folha de S.Paulo negou qualquer aditamento ou atenuação de conteúdo para beneficiar o banqueiro. O jornal confirmou uma reunião presencial com Vorcaro na sede da empresa em 12 de agosto de 2024, mas informou que o encontro serviu apenas para ouvir o outro lado durante a apuração. O diretor Sérgio Dávila declarou desconhecer a comissão paga ao consultor. A Folha informou ainda ter recebido R$ 516,4 mil em anúncios de empresas ligadas a Vorcaro entre 2021 e 2025, contrapondo o valor ao contrato publicitário de R$ 20 milhões mantido pelo Banco Master com o Metrópoles.
A publicação do Metrópoles ocorreu após uma investigação do portal UOL revelar que a CEO do grupo, Lilian Tahan, submetia reportagens à revisão prévia de Vorcaro antes da publicação. Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicaram que pelo menos 11 textos sofreram alterações a pedido do banqueiro, além do recebimento de R$ 27,28 milhões repassados a empresas da família do proprietário do site, o ex-senador Luiz Estevão. Lilian Tahan afirmou que consultar fontes é uma prática padrão e negou ligação entre contratos comerciais e decisões editoriais.
Apurações também apontaram a influência do banqueiro em veículos como Brazil Journal, IstoÉ, PlatôBR, Diário do Centro do Mundo e CartaCapital, além de resultarem na demissão do diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo, Frederic Kachar. As empresas citadas declararam que suas relações comerciais seguiram padrões regulares ou que mantiveram independência editorial na cobertura das operações financeiras do empresário.
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