Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Governo Lula lança edital para passeio nas Cataratas em área estadual sem aval do PR

Apesar do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) reconhecer no ano passado que a área onde ficam as Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), pertence ao estado do Paraná, o governo Lula lanç...

Por Reprodução03/06/2026 às 12:003 min de leitura
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Governo Lula lança edital para passeio nas Cataratas em área estadual sem aval do PR
Imagem: Reprodução

Apesar do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) reconhecer no ano passado que a área onde ficam as Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), pertence ao estado do Paraná, o governo Lula lançou um edital de concessão dentro da área estadual. A concessão — sob responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) — trata do passeio do Macuco, um dos atrativos mais procurados por quem visita o parque. Por meio de botes, os visitantes navegam pelo rio Iguaçu até chegarem bem próximos dos saltos das Cataratas.

Esse passeio existe desde 1986 e desde 2010 era de responsabilidade da empresa Ilha do Sol. O contrato, porém, venceu no ano passado. Com o entendimento do TRF4 de que a área pertence ao Paraná — são 10,8 milhões de metros quadrados de terra, equivalente a cerca de 6% da área do parque —, o governo estadual alega que o edital desrespeita a Concessão de Direito Real de Uso.

O leilão federal está marcado para 12 de agosto na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. Por esse motivo, o governo do Paraná ameça judicializar o certame. Antes disso, porém, enviou ofícios para o ICMBio e para o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) propondo alterações no edital, incluindo anuência da administração estadual.

“É uma solução construída com espírito de cooperação e responsabilidade institucional”, disse o procurador-geral do estado do Paraná, Luciano Borges. De acordo com o ICMBio, a receita total estimada nos 15 anos de concessão é de R$ 1,4 bilhão. No edital, o poder concedente receberá uma outorga fixa inicial de R$ 37,2 milhões, além de 6% sobre o receita operacional bruta.

A projeção é de que R$ 167,6 milhões iriam para o ICMBio em arrecadação e iniciativas de preservação. Em 2024, foram repassados R$ 7,2 milhões de outorgas para o ICMBio. E o Paraná quer uma parte desse montante.

Em nota, o governo do estado afirmou que “a manutenção do certame licitatório nos moldes atualmente propostos desrespeita a propriedade estadual” e que “a ausência de ajuste bilateral prévio e a omissão na outorga da cessão onerosa podem levar à nulidade do processo.” A reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato com o ICMBio pedindo um posicionamento sobre o ofício do governo do Paraná, mas nenhuma resposta foi enviada. O espaço segue aberto para manifestação.

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