Empreendimentos imobiliários de alto padrão apostam em associação com marcas e temas no Brasil
Projetos no litoral catarinense e no Rio de Janeiro utilizam conceitos como navegação e história para atrair compradores.

O mercado imobiliário brasileiro registra expansão em projetos que associam edifícios residenciais e de eventos a marcas consolidadas e conceitos temáticos. Em Itapema, no litoral de Santa Catarina, a construtora Gessele Empreendimentos prevê para outubro de 2033 a entrega de um residencial de 255 metros de altura e 70 pavimentos, com unidades vendidas entre R$ 7 milhões e R$ 25 milhões. A empresa informou que mais de 60% dos 114 apartamentos do empreendimento, desenvolvido em parceria com a fabricante de iates Okean, já foram comercializados.
A tendência de associação conceitual também ocorre em Balneário Camboriú, cidade que reúne a maioria dos dez edifícios mais altos do país. No município, o projeto da Senna Tower planeja alcançar mais de 500 metros de altura para se tornar a maior torre residencial do mundo, utilizando a marca e o histórico do piloto Ayrton Senna. No Rio de Janeiro, o setor atinge o segmento de eventos com a construção do Castelo do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes, prevendo conclusão para 2027 com estrutura inspirada em edificações medievais.

Especialistas do setor apontam razões estratégicas e mercadológicas para esse modelo de negócios. A professora de marketing da Fundação Getulio Vargas, Rosana de Moraes, afirma que marcas de alto valor dependem da construção de identidade e exclusividade para sustentar preços elevados. O consultor Sergio Langer declara que a identificação com um estilo de vida específico encurta o tempo de decisão de compra e ajuda a manter a percepção de valor dos imóveis, diferenciando os produtos em mercados competitivos.
A aplicação de estilos arquitetônicos históricos e temáticos em obras contemporâneas também gera análises acadêmicas. O professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Goiás, Emilliano Alves de Freitas Nogueira, avalia que o uso de colunas neoclássicas e estruturas inspiradas no passado busca comunicar poder econômico individual. Segundo o docente, a utilização desses elementos fora do contexto histórico original atua como símbolo de prestígio social para os proprietários.
O setor acompanha agora o desempenho dessas propostas a longo prazo. O consultor Langer afirma que empreendimentos baseados apenas em tendências visuais temporárias correm o risco de envelhecer rapidamente. A consolidação dos projetos dependerá do cumprimento das entregas prometidas e da funcionalidade dos espaços após a conclusão das obras nos próximos anos.
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