Direito às armas e livre mercado inspiram Confederação 9 de julho
Um grupo de ativistas do interior paulista decidiu que não quer depender — por ora — de partido nenhum para pautar a política brasileira. Em março de 2025, um advogado de Taubaté e um engenheiro de Ar...

Um grupo de ativistas do interior paulista decidiu que não quer depender — por ora — de partido nenhum para pautar a política brasileira. Em março de 2025, um advogado de Taubaté e um engenheiro de Araçatuba colocaram no papel uma estrutura permanente, descentralizada e com ambição nacional, que definem como o contraponto ao que a esquerda construiu em décadas. Ao contrário do Fórum de São Paulo — a articulação criada por Fidel Castro e Lula em 1990 —, ela não quer ter sede fixa, presidente único nem uma capital que concentre poder.
Quer se espalhar pelo país a partir de São Paulo — e, para isso, escolheu um nome que carrega história. O 9 de julho é a data da Revolução Constitucionalista de 1932, quando o estado de São Paulo, segundo um dos fundadores, se levantou sozinho contra as tropas de Getúlio Vargas em defesa de uma constituição. O levante perdeu militarmente, mas ganhou o que queria: o país voltou ao regime constitucional.
Os fundadores enxergam nesse episódio o símbolo de resistência ao poder centralizado. O modelo ainda deve ser replicado em outros estados, cada um com sua própria data de resistência: em Minas Gerais, o 21 de abril, execução de Tiradentes; na Bahia, o 2 de julho, feriado que celebra a Independência da Bahia; no Rio Grande do Sul, o 20 de setembro, início da Revolução Farroupilha. Datas que, não por acaso, marcam momentos em que o poder local enfrentou e resistiu ao poder central.
A bandeira do movimento traduz a mesma lógica em imagem. Quinze listras pretas e brancas e 15 estrelas amarelas representam as regiões administrativas de São Paulo — e o desenho remete deliberadamente à bandeira do M.M.
D.C., o movimento armado que organizou a resistência paulista em 1932 e cujo nome reúne as iniciais dos quatro primeiros estudantes mortos no conflito.
No centro, o mapa do estado em azul sobre fundo vermelho. A Confederação 9 de julho foi fundada pelo advogado Rodrigo Duque, de Taubaté, e pelo engenheiro civil Rodrigo Andolfato, de Araçatuba — região de agronegócio forte e eleitorado historicamente conservador, terreno fértil para uma iniciativa que mistura armamentismo, economia da escola austríaca e desconfiança do poder central. A proposta é montar uma estrutura permanente que una clubes de tiro, institutos da escola austríaca e intelectuais da direita em torno de uma pauta mais ampla: menos Estado, liberdade econômica, descentralização do poder e direito irrestrito à legítima defesa.
"A esquerda foi de forma silenciosa para as universidades, para a igreja, para os movimentos sociais. A gente precisa fazer o mesmo", diz Duque. O modelo de inspiração vem da Argentina.
O Foro Alberdiano Internacional — batizado em homenagem a Juan Bautista Alberdi, o jurista argentino cujo livro Bases y puntos de partida serviu de referência para a Constituição argentina de 1853 — é a estrutura ligada ao La Libertad Avanza, o partido de Javier Milei que venceu as eleições argentinas em 2023, com uma plataforma de corte radical de gastos e desregulamentação da economia. Em novembro de 2024, o grupo trouxe uma comitiva de políticos argentinos à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para o lançamento da Frente Parlamentar Brasil-Argentina, coordenada pelo deputado Lucas Bove (PL-SP) — e foi nessa ocasião que Andolfato recebeu o diploma de embaixador-geral do foro no Brasil. Foi dentro dessa estrutura que ele ensinou economia da escola austríaca a políticos do La Libertad Avanza e absorveu o arcabouço doutrinário que deu origem à Confederação 9 de julho.
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