Como o setor de combustível superou a cocaína na receita do crime organizado?
Por Gazeta do Povo Lab Por Bruno Maffi 28/05/2026 às 19:17 O crime organizado no Brasil diversificou seus lucros, com o setor de combustíveis faturando R$ 60 bilhões anuais, valor quatro vezes maior q...

Por Gazeta do Povo Lab Por Bruno Maffi 28/05/2026 às 19:17 O crime organizado no Brasil diversificou seus lucros, com o setor de combustíveis faturando R$ 60 bilhões anuais, valor quatro vezes maior que o tráfico de cocaína. Operações policiais nesta quinta-feira (28) revelam o uso de fintechs para lavagem de dinheiro das facções. As facções criminosas perceberam que mercados como o de combustíveis oferecem um retorno financeiro altíssimo com riscos menores.
Diferente do tráfico de drogas, a repressão estatal é menos intensa e a reprovação da sociedade é mais baixa, já que adulterar gasolina ou sonegar impostos não carrega o mesmo peso negativo que a venda de entorpecentes. As fintechs, que são empresas de tecnologia financeira, são utilizadas para lavar o dinheiro ilícito. Elas oferecem várias camadas de transações que dificultam o rastreamento do dinheiro e ajudam a proteger o patrimônio dos líderes criminosos.
Em um dos casos investigados, R$ 4 bilhões foram movimentados entre essas instituições para ocultar a origem dos recursos. O 'PIB do crime' no mercado formal é liderado pelos combustíveis, mas o topo geral da receita vem dos crimes digitais e roubos de celulares, que juntos movimentam mais de R$ 186 bilhões por ano. O setor de bebidas, ouro e tabaco também aparecem como fontes bilionárias de renda para os criminosos.
A venda ilegal de combustíveis chega a 13 bilhões de litros por ano no Brasil. Além de alimentar o crime organizado, essa prática gera uma perda de arrecadação de aproximadamente R$ 23 bilhões em impostos que deixam de ser pagos. Isso prejudica investimentos em áreas essenciais como saúde e educação.
A grande dificuldade é que o crime ocorre dentro de empresas reais e funcionando. Os investigadores precisam realizar um trabalho minucioso para separar o que é venda legítima do que é fraude ou lavagem de dinheiro. Isso exige uma integração maior entre a polícia, a Receita Federal e outros órgãos fiscais para demonstrar o crime financeiro.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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