Como o PCC usa fintechs para lavar bilhões de reais do crime?
Por Gazeta do Povo Lab Por Guilherme Grandi 28/05/2026 às 14:02 Nesta quinta-feira (28), a Operação Fluxo Oculto revelou que o PCC utiliza bancos digitais, conhecidos como fintechs, para lavar bilhões...

Por Gazeta do Povo Lab Por Guilherme Grandi 28/05/2026 às 14:02 Nesta quinta-feira (28), a Operação Fluxo Oculto revelou que o PCC utiliza bancos digitais, conhecidos como fintechs, para lavar bilhões de reais. A ação ocorreu em cinco estados e mira empresas que escondem a origem de dinheiro vindo do tráfico de drogas e da adulteração de combustíveis. As fintechs são empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros digitais, como bancos no celular.
No entanto, algumas dessas empresas estão sendo usadas como fachada ou 'duto' pelo crime organizado. Elas criam várias camadas de contas para esconder quem é o verdadeiro dono do dinheiro, dificultando o rastreio pelas autoridades. O esquema utilizava as chamadas 'contas-bolsões', que misturam o dinheiro de vários clientes em uma única conta.
Isso criava uma blindagem comercial que impedia saber de onde vinha o recurso e para onde ele ia. Essa prática foi proibida pelo Banco Central no ano passado, exigindo que essas empresas identifiquem todos os beneficiários do dinheiro para a Receita Federal. As investigações apontam que o esquema movimentou impressionantes R$ 26 bilhões.
Desse total, cerca de R$ 1 bilhão foi movimentado em dinheiro vivo, o que é um forte indício de lavagem de dinheiro, já que o uso de espécie serve para evitar o monitoramento eletrônico do sistema financeiro tradicional. Sim, e este é um dos pontos mais preocupantes para o Ministério Público. As fintechs investigadas não serviam apenas ao PCC, mas eram compartilhadas por outros grupos criminosos.
Ou seja, diferentes facções utilizavam os mesmos canais digitais para 'limpar' recursos ilícitos, mostrando uma convergência dos fluxos financeiros do crime. A operação descobriu que o PCC refinou um esquema de adulteração de combustíveis. Eles simulavam compras milionárias de produtos químicos enquanto entregavam combustível comum em postos de São Paulo.
Toda a movimentação financeira dessas fraudes passava pelas fintechs e fundos de investimento alvos da operação, garantindo que o lucro do crime parecesse legal. Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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