Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Como bebida catarinense chegou ao topo da Cúpula da Cachaça

“Meu avô ergueu o alambique em plena Segunda Guerra, com pouco dinheiro, muita dificuldade e uma certeza: queria fazer uma cachaça de qualidade desde o começo.” A frase é de Márcio Van Den Bylaardt, n...

Por Reprodução19/05/2026 às 18:003 min de leitura
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Como bebida catarinense chegou ao topo da Cúpula da Cachaça
Imagem: Reprodução

“Meu avô ergueu o alambique em plena Segunda Guerra, com pouco dinheiro, muita dificuldade e uma certeza: queria fazer uma cachaça de qualidade desde o começo.” A frase é de Márcio Van Den Bylaardt, neto de Wilibaldo, o descendente de holandeses que, em 1943, concluiu a construção do alambique em Santa Catarina, que hoje dá origem à cachaça eleita a melhor do Brasil. O local de produção segue o mesmo no município de Luiz Alves, no Vale do Itajaí, mas o rótulo do produto mudou de patamar: em maio de 2026, a Bylaardt Extra Premium foi escolhida a "cachaça do ano" no ranking nacional da Cúpula da Cachaça.

No início do negócio, segundo Van Den Bylaardt, não havia energia elétrica para a produção. A cana era moída na força da água, em uma roda que girava devagar, produzindo pequenas quantidades por dia. A produção era limitada, mas carregava a ideia central, que atravessou gerações: antes de pensar em volume, cuidar da qualidade.

“Continuamos trabalhando de forma artesanal, respeitando o tempo da bebida e priorizando a qualidade acima do volume”, ressalta o neto do fundador da empresa, 83 anos após a primeira safra. Esse princípio culminou em um projeto improvável, décadas após o ensinamento do patriarca. A empresa familiar passou a manter um destilado por 18 anos em barris de carvalho.

A ideia surgiu durante uma conversa de balcão, ainda na década de 1970, quando um cliente comentou que a cachaça da família já era muito boa, mas poderia “chegar a outro nível” se envelhecida em carvalho. Na época, Van Den Bylaardt lembra que conseguir barris era uma aventura logística. “Meu pai trouxe os primeiros dez barris de Jaraguá do Sul em uma picape, sem ter certeza se aquilo realmente daria certo.

Quando colocou a cachaça nos barris e começou a oferecer aos clientes alguns meses depois, a aceitação foi imediata. A partir dali percebemos que o envelhecimento poderia transformar a bebida em algo ainda mais especial”, relembra ele. A Extra Premium de 18 anos nasce exatamente dessa estratégia de longo prazo, que valoriza a produção de alta qualidade.

Guardar, esperar, investir em barris, espaço e paciência para, um dia, colocar no mercado uma cachaça que não se parecesse com nada do que a maioria dos brasileiros tem em mente quando ouve a palavra “pinga”. Hoje, o alambique abriga milhares de barris de carvalho francês, todos novos. “Poucos produtores conseguem manter uma estrutura assim por tanto tempo”, afirma o empresário, explicando que o estoque precisa ser planejado em décadas, não em safras.

É nesse cenário que nasce a Bylaardt Extra Premium, que em 2026, sai do anonimato dos barris para o centro de um dos palcos mais respeitados da cachaça brasileira.

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