Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Combustível supera cocaína e vira uma das maiores fontes de renda do crime organizado

Alvo da operação Fluxo Oculto nesta quinta-feira (28), o setor de combustível se tornou uma das principais fontes de receita do crime organizado e está conectado ao mercado financeiro para lavagem de ...

Por Reprodução28/05/2026 às 18:002 min de leitura
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Combustível supera cocaína e vira uma das maiores fontes de renda do crime organizado
Imagem: Reprodução

Alvo da operação Fluxo Oculto nesta quinta-feira (28), o setor de combustível se tornou uma das principais fontes de receita do crime organizado e está conectado ao mercado financeiro para lavagem de dinheiro, por meio das fintechs e dos fundos de investimento. Segundo dados do Atlas da Violência de 2026, divulgado na terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o tráfico de cocaína representa apenas 10% da receita do crime organizado brasileiro, atrás dos segmentos de combustíveis, bebidas e ouro. O setor de combustíveis lidera a exploração de mercados formais pelo crime organizado com receita anual acima de R$ 60 bilhões, o que representa cerca de 40% da receita das facções.

“Com o desenvolvimento e consolidação do modelo de negócio criminal mais sofisticado, houve um processo de diversificação de atividades, em que as organizações criminosas se inseriram, inclusive dentro das cadeias produtivas legais e nas administrações públicas”, avalia o Atlas da Violência. É exatamente a sofisticação desse modelo de negócio que é alvo da operação desta quinta-feira, um desdobramento da Carbono Oculto, que mira o esquema bilionário de adulteração e fraudes no setor de combustíveis e a utilização do centro financeiro da Faria Lima, em São Paulo, para a lavagem dos recursos ilícitos. “O andar de cima se profissionalizou: as lideranças estruturaram redes sofisticadas de lavagem de dinheiro, infiltração em mercados formais, blindagem patrimonial e conexões políticas”, aponta o levantamento.

O promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) João Paulo Gabriel explica que as fintechs possuem camadas que contribuem para a blindagem patrimonial. Além disso, a intensa movimentação financeira favorece o recebimento de valores de múltiplas origens e a redistribuição para diversas contas, o que possibilitou até a reorganização do esquema após a primeira fase da operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), em agosto do ano passado. “Essas instituições financeiras se reestruturaram após a Carbono Oculto.

Identificamos a movimentação de R$ 4 bilhões que saíram das fintechs que foram alvo da primeira fase da operação para aquelas investigadas na segunda fase", informa.

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