Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Cinco fatos que justificam a classificação do PCC e CV como organizações terroristas

O governo dos Estados Unidos anunciou a classificação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “Organizações Terroristas Estrangeiras ” (FTO, n...

Por Reprodução04/06/2026 às 00:003 min de leitura
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Cinco fatos que justificam a classificação do PCC e CV como organizações terroristas
Imagem: Reprodução

O governo dos Estados Unidos anunciou a classificação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “Organizações Terroristas Estrangeiras ” (FTO, na sigla em inglês). A decisão foi comunicada por Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano do governo de Donald Trump, e entrará em vigor nesta sexta-feira (5). Apesar do protesto do governo Lula, a trajetória das duas facções justifica a classificação imposta pelos Estados Unidos como organizações terroristas.

O PCC e o CV acumulam, juntos, mais de três décadas de ações que vão muito além do tráfico de drogas, como assassinatos de agentes do Estado, sequestro de jornalistas, ataques coordenados em escala estadual e uso de táticas militares em confrontos com a polícia. O episódio mais emblemático da capacidade operacional do PCC aconteceu em maio de 2006 e mostrou que a facção era capaz de coordenar uma ofensiva simultânea em escala estadual, paralisando a maior metrópole do país, com mais de 10 milhões de habitantes. A onda de ataques, rebeliões e atentados promovidos pelo PCC em São Paulo resultou em 564 mortes entre os dias 12 e 21 de maio, sendo 505 civis e 59 agentes públicos.

Foram registradas mais de 70 rebeliões em unidades penitenciárias no estado. Prédios públicos como delegacias, postos policiais, corpos de bombeiros e agências bancárias foram alvo de tiros e explosões. Pelo menos 90 ônibus foram incendiados pelos criminosos.

Os ataques foram uma retaliação à transferência repentina e sigilosa de 765 presos ligados ao PCC para um presídio de segurança máxima. Entre as medidas tomadas pelo governo paulista, estava o isolamento de Marcos Camacho, conhecido como Marcola, considerado o principal líder da facção. A imprensa foi uma das primeiras a sentir que as facções não faziam distinção entre agentes do Estado e agentes civis.

Em 2 de junho de 2002, o jornalista Tim Lopes, da TV Globo, foi capturado na favela Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, enquanto apurava denúncias de tráfico de drogas e abuso sexual de adolescentes em um baile funk. Levado ao Complexo do Alemão a mando de Elias Maluco, liderança do Comando Vermelho, Tim Lopes foi torturado e morto. O corpo, encontrado carbonizado, foi identificado apenas por meio de um exame de DNA.

Anos depois, em São Paulo, o PCC também mirou os profissionais de comunicação. Em 12 de agosto de 2006, o repórter Guilherme Portanova, da TV Globo, foi sequestrado junto com o auxiliar técnico Alexandre Calado em uma padaria próxima à emissora, no bairro do Brooklin. A condição para a libertação foi a exibição, em rede nacional, de um vídeo com as exigências da facção por melhorias no sistema penitenciário.

Depois de 40 horas em poder dos sequestradores, Portanova foi liberado pelos criminosos.

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