Arrasto da tainha atrai até Luciano Hang e governo federal decreta fim da temporada antes do prazo
Entre maio e julho, pescadores artesanais se programam para ocupar faixas de areia e arrastam redes carregadas de peixes no litoral catarinense, em uma cena que atravessa gerações nas comunidades pesq...

Entre maio e julho, pescadores artesanais se programam para ocupar faixas de areia e arrastam redes carregadas de peixes no litoral catarinense, em uma cena que atravessa gerações nas comunidades pesqueiras do estado. Porém, desde este domingo (7), uma decisão do governo federal interferiu nesta rotina: o Ministério da Pesca e Aquicultura comunicou que fica encerrada, a partir de agora, "a captura da espécie tainha (Mugil liza) na modalidade de arrasto de praia, referente à temporada de pesca de 2026". Até então, a safra da tainha aproximava-se da marca de 1,21 mil toneladas capturadas em arrasto neste ano, somando mais de 4,6 mil toneladas em todas as modalidades, conforme dados do painel de monitoramento do Ministério da Pesca.
A pasta do governo Lula (PT) informou que "a medida possui caráter preventivo e tem por objetivo evitar o excedente da cota de captura estabelecida para a modalidade, considerando que o limite coletivo atingiu 90% da cota autorizada para a temporada, nos termos da Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51, de 27 de fevereiro de 2026". A prática do arrasto de praia, considerada tradicional e exclusiva de Santa Catarina, utiliza redes lançadas ao mar e puxadas da areia por grupos de pescadores. As embarcações de arrasto de praia que estiverem em atividade de pesca no mar deverão realizar o último desembarque de tainha (Mugil liza) em até 24 horas após o encerramento da captura, contadas da publicação do comunicado no site oficial do Ministério da Pesca e Aquicultura, que ocorreu às 15h26 do domingo.
A prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan (PSD), criticou a decisão do governo federal e manifestou apoio aos pescadores. “Quando a gente fala da pesca da tainha, não estamos apenas falando de cotas, nós estamos falando da história de Balneário Camboriú, da tradição de Santa Catarina e do sustento de milhares de famílias”, comentou em um vídeo publicado na rede social Instagram na noite do domingo. A prefeita ainda lembrou que, além do valor cultural, a pesca da tainha também é uma atividade econômica.
“A gente sabe que a preservação é importante e necessária, mas também é preciso ouvir quem vive do mar e respeitar a realidade das nossas comunidades pesqueiras. A pesca da tainha faz parte da identidade do nosso litoral”, acrescentou. A pesca da tainha preserva uma tradição trazida pelos colonizadores açorianos há mais de 200 anos.
Além do valor histórico e cultural, a atividade gera renda para famílias de pescadores e fortalece a economia de municípios do litoral catarinense. Em 2012, a atividade foi reconhecida como Patrimônio Cultural de Santa Catarina. A safra chega a alterar a rotina das praias no estado.
Em Florianópolis, uma lei municipal determina restrições ao surfe em vários trechos da capital para que ocorra a pesca. Pescadores da Praia de Cima, em Palhoça, na Grande Florianópolis, estimaram a captura de mais de 30 mil tainhas durante um dos arrastos realizados no local. “A temporada começou com expectativa muito alta entre os pescadores.
Antes dos grandes lanços em Palhoça, a gente já observava uma movimentação intensa de tainhas nas praias de Garopaba e da Gamboa”, afirma o pescador artesanal Ramatis Ferreira Florêncio. Dono das lojas Havan, o empresário Luciano Hang celebrou a participação em um arrastão da tainha na praia de Bombinhas. Em vídeo divulgado nas redes sociais na sexta-feira (5), ele mostrou momentos da pescaria realizada.
Nas imagens, Hang aparece ao lado de pescadores durante a retirada do cardume da água para a faixa de areia. Em um primeiro momento, ele consegue capturar algumas tainhas com as próprias mãos. Depois, enfrenta várias tentativas sem sucesso até voltar a pegar um dos peixes, que lança para o alto em comemoração.
Após a decisão federal, Hang voltou a se manifestar. "Em outros anos, a pesca da tainha já havia sido ameaçada. Mas proibir, como fizeram agora, é algo sem precedentes.
Estão atacando uma tradição que existe há mais de 400 anos e que faz parte da vida de muitas famílias catarinenses", disse ele. O empresário já havia registrado a importância da pesca da tainha em Santa Catarina. "Os jovens têm que continuar a tradição dos seus avós, os antepassados que estão aqui fazendo essa pesca.
Olha, a comunidade tem turista, tem moradores, tem pessoas de outros lugares que vieram para cá hoje para ver, e são várias praias que tem aqui em Bombinhas. São 39 praias e todas elas vão estar aí. Deus tem abençoado que está uma festa esse ano e todos os ranchos, cada um está matando o seu peixinho.
Todas as comunidades estão sendo alimentadas”, disse Hang no vídeo.
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