Acidente Voepass: pilotos não acionaram sistema de degelo antes da queda
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que a tripulação do voo 2283 da Voepass não acionou o sistema pneumático de degelo (Airframe De-Icin...

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que a tripulação do voo 2283 da Voepass não acionou o sistema pneumático de degelo (Airframe De-Icing) ao ingressar em condições de formação de gelo, contrariando os procedimentos previstos pelo fabricante da aeronave ATR 72-500. A investigação também identificou conversas sobre assuntos alheios à operação durante fases críticas do voo, além de falhas no gerenciamento da cabine, treinamento e supervisão operacional. O Cenipa ainda apontou que auditorias e inspeções realizadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) antes do acidente identificaram “diversas não conformidades” relacionadas aos procedimentos de manutenção da Voepass, à rastreabilidade de componentes das aeronaves e à prática recorrente de registros informais de falhas — ou até mesmo à ausência de comunicação de panes.
Segundo o relatório, porém, essas constatações não foram suficientes para "auxiliar nas tomadas de decisões estratégicas necessárias à mitigação e ao controle dos riscos". O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024. A aeronave decolou de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP) transportando quatro tripulantes e 58 passageiros.
Durante a fase de voo de cruzeiro, encontrou condições severas de formação de gelo, entrou em estol (stall), perdeu o controle e caiu sobre uma área residencial em Vinhedo (SP). As 62 pessoas a bordo morreram. A investigação descreve que, ao detectar acúmulo de gelo, a aeronave emitia um alerta visual e sonoro aos pilotos.
Enquanto o sistema de proteção contra gelo permanecesse desligado, a luz ICING continuaria piscando para chamar a atenção da tripulação. Somente após o acionamento dos sistemas Anti-Icing e Airframe De-Icing o aviso passava a permanecer aceso de forma contínua, indicando que a proteção estava ativa. O fabricante também determinava que o sistema de degelo permanecesse ligado até que os pilotos confirmassem visualmente, por meio do indicador de gelo instalado na fuselagem, que a aeronave havia deixado completamente as condições de formação de gelo.
O relatório mostra que os dois pilotos participaram de treinamentos periódicos em simulador que incluíam operações em condições de formação de gelo, procedimentos para gelo severo e técnicas de recuperação de perda de controle em voo (UPRT). Ambos obtiveram avaliação satisfatória em todos esses exercícios. Em relação às condições da aeronave antes da decolagem, o Cenipa informa que o ATR possuía Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade válido e havia passado pela inspeção diária obrigatória (Daily Check) na manhã do acidente.
Em nota, a Voepass afirmou que a queda do voo 2283 foi “o episódio mais difícil” da história da companhia e informou que continua prestando apoio psicológico às famílias das vítimas. A empresa afirmou que colaborou com as investigações desde o início, reiterou que sua frota “sempre esteve aeronavegável e apta a realizar voos”, em conformidade com os padrões internacionais, e afirmou que somente o relatório final do Cenipa poderia apontar, de forma conclusiva, as causas do acidente.
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