33 mil relatos: pacientes crônicos racionam ou param tratamento por falta de remédio do SUS
O acesso a medicamentos de alto custo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta um cenário crítico desde os primeiros meses de 2026. Dados do movimento Medicamento no Tempo Certo (MTC) apontam 33.104...

O acesso a medicamentos de alto custo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta um cenário crítico desde os primeiros meses de 2026. Dados do movimento Medicamento no Tempo Certo (MTC) apontam 33.104 relatos de irregularidades e desabastecimento envolvendo 58 medicamentos da assistência farmacêutica no primeiro trimestre do ano.
O cenário afeta pacientes com doenças crônicas, imunomediadas, raras e oncológicas em diferentes regiões do país. Segundo o pesquisador de doenças raras e autoimunes no Centro de Estudos em Terapias Inovadoras, Sebastião Cezar Radominski, o problema ganhou intensidade nos últimos meses de 2025 e segue sem solução em diversos tratamentos. “Desde o final do ano, detectamos uma falta generalizada de medicamentos, em diferentes escalas.
Além disso, foram observadas faltas transitórias ou intermitentes de outros medicamentos de alto custo para doenças neoplásicas e de tratamento crônico ou contínuo”, afirma Radominski. O último levantamento publicado pelo MTC, realizado entre 1º e 30 de abril, aponta o registro de 2.547 relatos de pacientes e cuidadores sobre falhas no fornecimento de 30 medicamentos, com a aquisição e a disponibilização sob responsabilidade do Ministério da Saúde.
Do total de notificações, 660 pacientes relataram estar sem acesso aos medicamentos há mais de 60 dias. Outros 734 informaram interrupção no tratamento por pelo menos 30 dias. A coordenadora do MTC, Priscila Torres, alerta para os impactos clínicos provocados pela interrupção do tratamento.
“No caso de medicamentos de alto custo e uso contínuo, atrasos prolongados também podem comprometer a efetividade do tratamento, reduzir qualidade de vida, gerar incapacidade, afastamento do trabalho ou da escola e ampliar a judicialização”, afirma Torres. A coordenadora aponta que a ausência dos medicamentos pode provocar agravamento das doenças, perda de resposta terapêutica, recaídas, crises, progressão do quadro clínico, aumento de sintomas e crescimento da demanda por atendimentos de urgência e internações evitáveis.
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