Venda da Copasa inaugura um novo mapa do saneamento em Minas Gerais
Minas Gerais encerrou neste mês de junho um dos capítulos mais complexos de sua história administrativa: a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Com a vitória da Equatorial...

Minas Gerais encerrou neste mês de junho um dos capítulos mais complexos de sua história administrativa: a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Com a vitória da Equatorial Energia, que ofereceu R$ 49,03 por ação, a companhia deixou de ser uma estatal majoritária para se tornar uma corporation, na qual o Estado detém apenas cerca de 5% das ações e um mecanismo denominado de golden share para decisões estratégicas — mesmo modelo utilizado na privatização da Companhia Paranaense de Energia, a Copel. A operação, que deve injetar até R$ 10 bilhões nos cofres públicos, foi viabilizada por um arranjo político-jurídico que envolveu prefeituras, o Tribunal de Contas e o setor privado.
A liquidação final das ações, ocorrida no último dia 11, marca o início de uma nova era para o saneamento em 636 municípios mineiros — o processo de privatização da Copasa foi concluído nesta terça-feira (16), com a entrega das ações aos compradores, durante uma cerimônia na Bolsa de Valores, a B3, em São Paulo. A venda do controle acionário da Copasa foi o pilar da estratégia do governo estadual para abater a dívida com a União via Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados). Após um recuo nas negociações, que ocorreu em maio, quando as ofertas iniciais ficaram abaixo do preço mínimo sigiloso, o governo revelou o valor de R$ 47,23 por ação, garantindo o sucesso do leilão na rodada seguinte.
A transação inicial propiciou R$ 5,5 bilhões por 30% das ações, chegando a valores bilionários com lotes adicionais (follow-on). Com a nova aquisição, o grupo Equatorial, que atua também nos seguimentos de energia elétrica e telecomunicações, se torna uma gigante do setor, somando a Copasa aos seus ativos no Amapá e à Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). O grupo firmou um acordo de manutenção das ações, chamado de lock-up, até junho de 2030.
Em nota divulgada à imprensa, a empresa afirmou que a aquisição está “alinhada à estratégia de expansão no segmento de saneamento”, reforçando a presença da companhia no sudeste do país. No primeiro trimestre de 2026, a Copasa realizou uma séria de encontros estratégicos com prefeitos de municípios atendidos pela Companhia, cerca de 600 municípios participaram das reuniões para discutir os investimentos e a segurança jurídica da venda da empresa. Na época a presidente da Copasa, Marília Carvalho Melo, afirmou que a universalização só aconteceria com “uma parceria sólida entre a companhia e titulares dos serviços”, e que ela estava assumindo a “missão de construir esse caminho”.
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