Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Transporte aéreo de cargas avança no Brasil e projeta crescimento acima da média global

Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, gargalos logísticos e cadeias produtivas pressionadas por velocidade, o transporte aéreo de cargas deixou de ser alternativa emergencial para se ...

Por Reprodução04/03/2026 às 18:002 min de leitura
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Transporte aéreo de cargas avança no Brasil e projeta crescimento acima da média global
Imagem: Reprodução

Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, gargalos logísticos e cadeias produtivas pressionadas por velocidade, o transporte aéreo de cargas deixou de ser alternativa emergencial para se consolidar como estratégia. No Brasil, a expectativa é que o modal cresça acima da média mundial em 2026, impulsionado por setores de alto valor agregado, como farmacêutico, tecnologia e comércio eletrônico. A projeção global gira em torno de 4% de crescimento em volume no próximo ano, conforme a a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).

No mercado brasileiro, a estimativa é mais otimista e pode alcançar cerca de 6%, refletindo o tamanho do mercado consumidor, a expansão do e-commerce internacional e novos investimentos industriais, como data centers no Nordeste, que demandam equipamentos sensíveis e de alto valor, tradicionalmente transportados por via aérea. O cálculo é do diretor do Departamento de Transporte Aéreo da Allog, René Genofre. De acordo com ele, o principal traço do setor é a imprevisibilidade.

Conflitos internacionais, fechamento de espaços aéreos e oscilações no preço do petróleo afetam diretamente rotas, disponibilidade e custos. “Quando há desvio, perde-se capacidade ou aumenta-se o tempo de trânsito. Se o combustível sobe, o frete reage imediatamente”, afirma.

Ele pontua que é praticamente impossível se blindar totalmente de eventos geopolíticos e climáticos. A saída está em planejamento e diversificação de estratégias. Fretamentos conjuntos entre empresas, construção de rotas alternativas e uso parcial do aéreo como complemento ao marítimo podem evitar paralisações industriais.

“Migrar uma pequena parte da carga para o aéreo funciona como um pulmão para evitar parada de linha”, resume. Na prática, isso significa rever políticas internas de logística e deixar de tratar o aéreo apenas como última alternativa. Empresas consideradas mais maduras já incorporam o modal à estratégia, especialmente em momentos de maior risco, quando uma interrupção na cadeia pode gerar perdas superiores ao custo adicional do frete.

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