Relembre todos os alvos da PF nas 10 fases de investigação sobre o Banco Master
Deflagrada em sua primeira fase em novembro de 2025 pela Polícia Federal, a Operação Compliance Zero foi iniciada como uma investigação sobre a suposta criação de carteiras de crédito sem lastro e a e...

Deflagrada em sua primeira fase em novembro de 2025 pela Polícia Federal, a Operação Compliance Zero foi iniciada como uma investigação sobre a suposta criação de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos fraudulentos pelo Banco Master para o Banco de Brasília (BRB). O avanço das apurações fez o inquérito alcançar autoridades e agentes políticos de diferentes esferas de poder, além de investigar a existência de uma suposta estrutura paralela de intimidação e espionagem vinculada ao esquema. Desde então, a investigação se expandiu e alcançou familiares e sócios do banqueiro Daniel Vorcaro, executivos do mercado financeiro, operadores apontados como responsáveis pela movimentação e ocultação de recursos e integrantes de instituições públicas e privadas supostamente beneficiados pelo esquema.
Saiba, abaixo, quais foram todos os alvos das dez fases da operação deflagradas até julho pela Polícia Federal: Daniel Vorcaro: dono do Banco Master foi preso pela primeira vez, seguido por sua liquidação pelo Banco Central. Apontado como líder da organização investigada e suspeito de comandar fraudes financeiras, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro, corrupção e uso de estruturas paralelas para proteção do grupo. Outro lado: Vorcaro disse que sempre esteve à disposição das autoridades e que colaborou com as investigações.
Augusto Ferreira Lima: ex-sócio do Banco Master e posterior proprietário do Banco Pleno, alvo de mandado de busca e apreensão. Considerado integrante do núcleo de comando da instituição e investigado por participação na estrutura financeira sob suspeita de fraude. Paulo Henrique Costa: ex-presidente do BRB, alvo de afastamento do cargo.
Investigado por incentivar e facilitar as operações fraudulentas entre o banco estatal e o Master, como a aquisição de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas e a tentativa frustrada de compra da instituição privada. Teria recebido vantagens financeiras indevidas de Vorcaro. Outro lado: em nota, o BRB disse que sempre atuou em "conformidade com as normas de compliance e transparência".
Fabiano Campos Zettel: pastor, empresário e cunhado de Daniel Vorcaro, alvo de mandado de busca e apreensão. Segundo a PF, atuava como homem de confiança do banqueiro e teria coordenado pagamentos, repasses e um núcleo de intimidação contra adversários do grupo. A defesa de Zettel afirmou que ele sempre esteve à disposição das autoridades.
Belline Santana: ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, alvo de mandado de busca e apreensão. Investigadores afirmam que atuava informalmente como consultor de Vorcaro e teria fornecido orientação privilegiada sobre fiscalização e regulação bancária. A defesa dela não foi encontrada para comentar e o Banco Central também não comentou.
Paulo Sérgio de Souza Neves: ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, alvo de mandado de busca e apreensão. Investigado por atos relacionados à aquisição do Banco Máxima, posteriormente transformado em Banco Master. A PF apura se houve favorecimento regulatório.
Sua defesa não foi encontrada para comentar. Dario Oswaldo Garcia: diretor financeiro do BRB, alvo de mandado de busca e apreensão. Investigado por atuação em operações financeiras relacionadas ao grupo.
Sua defesa criticou a prisão. Nelson Tanure: empresário e investidor, alvo de mandado de busca e apreensão. Teria sido sócio oculto de Vorcaro no Master.
A defesa de Tanure disse que ele jamais enfrentou qualquer processo criminal no contexto das empresas em que é ou foi acionista e ainda negou que tivesse qualquer relação de natureza societária com o Banco Master. João Carlos Mansur: empresário fundador da corretora Reag, alvo de mandado de busca e apreensão. Teria gerido operações financeiras do Banco Master.
Sua defesa disse que ele estava à disposição das autoridades. Daniel Vorcaro: foi preso pela segunda vez. Sua defesa seguiu dizendo que ele colabora com as investigações.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão: conhecido como “Sicário”, também foi preso e apontado como coordenador operacional de uma espécie de “milícia privada” chamada de “A Turma” para intimidar, coagir e ameaçar desafetos de Vorcaro. Segundo a PF, realizava monitoramento, obtenção de dados sigilosos e vigilância de adversários de Vorcaro. O Sicárioacabou tirando a própria vida na prisão e sua defesa contestou as circunstâncias do fato, ocorrido nas dependências da PF.
Marilson Silva: policial federal aposentado e também preso. Faria parte do grupo “A Turma” e auxiliava na obtenção de dados sigilosos, monitoramento e intimidação. Sua defesa não foi encontrada para comentar.
Fabiano Zettel: empresário e pastor cunhado de Vorcaro, foi preso e apontado pelas investigações como operador financeiro do banqueiro e integrante do grupo “A Turma”. Assim como Vorcaro, a defesa de Zettel sempre afirmou que ele está disponível às autoridades. Paulo Henrique Costa: ex-presidente do Banco de Brasília (BRB).
Foi preso por suspeita de articular as operações fraudulentas com o Banco Master, entre elas a compra de carteiras de crédito sem lastro e a compra da instituição privada. Sua defesa alegou que a prisão é " absolutamente desnecessária" e que ele colaborou com as investigações. Daniel Monteiro: advogado considerado pela Polícia Federal como “arquiteto jurídico” do esquema, também foi preso.
Teria criado estruturas societárias e mecanismos para ocultação patrimonial. A defesa de Daniel Monteiro informou que ele estava à disposição das autoridades. Ciro Nogueira (PP-PI): senador e presidente nacional do PP, foi alvo de mandado de busca e apreensão.
A Polícia Federal afirma que ele teria atuado no Congresso em pautas de interesse de Daniel Vorcaro, incluindo a chamada “Emenda Master”, que aumentaria o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em troca, recebia vantagens financeiras e viagens. O senador atribuiu as acusações a interesses político-eleitorais e a proximidades das eleições.
Felipe Cançado Vorcaro: primo de Daniel Vorcaro e apontado também como operador financeiro do esquema, foi preso temporariamente. Segundo a Polícia Federal, fazia a ponte entre as decisões de Vorcaro e a execução financeira e societária. Sua defesa disse que a prisão preventiva seria desproporcional e que sua atuação empresarial é independente da de Vorcaro.
Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima: irmão de Ciro Nogueira e também alvo de mandado de busca e apreensão. Investigado por movimentações financeiras e por supostamente operar parte da estrutura ligada ao parlamentar. Sua defesa optou por não se manifestar.
Henrique Moura Vorcaro: pai de Daniel Vorcaro, foi preso por comandar o grupo “A Turma” após a prisão do empresário. É investigado por participação na ocultação patrimonial e suporte à estrutura financeira do grupo. Sua defesa disse que a prisão foi "extrema, desnecessária e desproporcional".
Valéria Vieira Pereira da Silva: delegada da Polícia Federal, foi afastada das funções. A autoridade aponta que ela teria acessado indevidamente inquéritos para fornecer informações sigilosas a uma organização criminosa. Sua defesa negou categoricamente todas as acusações.
Francisco José Pereira da Silva: agente aposentado, foi alvo de mandado de busca e apreensão. A investigação aponta que ele teria participado do repasse das informações colhidas ilegalmente por Valéria. Sua defesa negou quaisquer irregularidades.
Uma delegada e um agente policial foram alvos de mandados de busca e apreensão e afastados das atividades. Policial Federal lotado em Rondônia (nome não divulgado oficialmente): foi alvo de mandados de busca e apreensão e afastamento das funções. A autoridade suspeita que ele estaria repassando informações sigilosas da própria investigação e alertado integrantes da organização criminosa sobre diligências da Polícia Federal.
A autoridade trata essa fase como desdobramento direto da estrutura que teria sido montada para proteger Daniel Vorcaro e dificultar o avanço das investigações. Cláudio Castro (PL-RJ): ex-governador do Rio de Janeiro, foi alvo de mandados de busca e apreensão. A investigação aponta que ele teria influenciado o investimento de R$ 3,6 bilhões da Rioprevidência, a previdência dos servidores do estado, em aplicações de risco do Banco Master.
A defesa declarou não ter tido acesso prévio aos autos, mas manifestou não haver envolvimento direto dele com a autarquia. Ex-dirigentes do Rioprevidência também foram alvos de mandados de busca e apreensão. Jaques Wagner (PT-BA): senador e líder do governo Lula no Senado, foi alvo de mandados de busca e apreensão.
Segundo a investigação da Polícia Federal, ele supostamente atuaria em favor de interesses políticos de Vorcaro no Congresso, como a articulação da chamada “Emenda Master” e mudança em legislações relativas a empréstimos consignados em troca de vantagens financeiras, como um apartamento milionário em Salvador, viagens em jatinhos ligados ao banqueiro, repasses financeiros, etc. Jaques Wagner declarou que interesses político-eleitorais estariam por trás da ação da PF contra ele e sua defesa criticou a exposição de fotos com dinheiro vivo. Augusto Ferreira Lima: ex- sócio do Banco Master e dono do Banco Pleno, também já liquidado pelo Banco Central.
Apontado pela investigação como articulador de Vorcaro com Jaques Wagner, com uma amizade de longa data com o parlamentar. Sua defesa negou qualquer irregularidade. Thiago Miranda: o publicitário Thiago Miranda foi o alvo da 10ª fase da operação, acusado de ter sido o articulador da "Operação DV", que tinha como objetivo atacar a credibilidade das instituições, além de investigações sobre jornalistas, como Malu Gaspar, e concorrentes, como o CEO do banco Itaú.
Sua defesa negou todas as acusações.
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