Redes criminosas profissionais assumem contrabando de emagrecedores no Brasil
Por Gazeta do Povo Lab Por Luciana Cristo 16/08/2026 às 19:27 O mercado ilegal de medicamentos para emagrecer registra um crescimento explosivo no Brasil em 2026, superando o ritmo de expansão do cont...

Por Gazeta do Povo Lab Por Luciana Cristo 16/08/2026 às 19:27 O mercado ilegal de medicamentos para emagrecer registra um crescimento explosivo no Brasil em 2026, superando o ritmo de expansão do contrabando de cigarros. Operações da Polícia Federal e da Receita Federal apontam que o crime organizado estruturou depósitos no Paraguai para escoar milhares de ampolas e canetas para o território brasileiro, utilizando desde fundos falsos em calçados até voos domésticos. Os números impressionam pela velocidade do crescimento.
Somente entre janeiro e o início de junho de 2026, a Polícia Federal apreendeu 165,6 mil unidades de medicamentos voltados ao emagrecimento, volume que já é quase o triplo de tudo o que foi recolhido ao longo de todo o ano de 2025. A Receita Federal também detectou uma explosão específica nas canetas emagrecedoras, com 158,3 mil unidades retidas no primeiro semestre. O estado do Paraná concentra a maior parte dessas ações, respondendo por cerca de 60% do total nacional, com destaque para a cidade de Foz do Iguaçu.
O que antes parecia uma atividade informal de pequenos sacoleiros tornou-se uma operação profissional de larga escala. Atualmente, depósitos no Paraguai funcionam como centros de distribuição que despacham cargas de 6 mil a 7 mil ampolas diretamente para caminhões, sem passar pelo varejo tradicional de fronteira. A logística de distribuição se diversificou: além das estradas, o crime organizado passou a utilizar voos domésticos a partir de Foz do Iguaçu para levar os produtos a grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, aproveitando o alto valor agregado e o pouco volume das cargas.
O perigo reside na incerteza sobre o que realmente está dentro das canetas. O mercado ilegal não oferece apenas marcas famosas como Ozempic e Mounjaro por preços menores, mas também produtos falsificados ou manipulados sem qualquer fiscalização. A Anvisa alerta que itens comprados em camelôs ou grupos de internet não possuem garantia de procedência, composição química ou conservação térmica adequada.
Substâncias experimentais, como a retatrutida, que nem sequer possui registro sanitário em qualquer lugar do mundo, já foram identificadas em apreensões realizadas nas fronteiras brasileiras. A combinação de alta procura por soluções rápidas de perda de peso e diferenças regulatórias entre Brasil e Paraguai criou o cenário perfeito para o crime. Como as ampolas são pequenas e alcançam preços elevados no mercado brasileiro, o retorno financeiro por cada carregamento é muito superior ao de outros produtos tradicionais, como eletrônicos ou cigarros.
Além disso, existe uma 'aparência de normalidade' na venda dessas canetas em grupos de bairro, o que diminui a rejeição do consumidor comum, que muitas vezes não percebe estar financiando uma rede criminosa organizada. Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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