Quem é Milton Leite, um dos políticos mais influentes de SP, agora considerado foragido
O ex-vereador Milton Leite foi, nesta quinta-feira (17), alvo de um mandado de prisão da Justiça de São Paulo. Ele não foi encontrado pela polícia em sua residência. Milton Leite disse que não fugiu, ...

O ex-vereador Milton Leite foi, nesta quinta-feira (17), alvo de um mandado de prisão da Justiça de São Paulo. Ele não foi encontrado pela polícia em sua residência. Milton Leite disse que não fugiu, que está em uma viagem e que se apresentará em até 24 horas.
Também negou as acusações de um suposto vínculo com um esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio das empresas de ônibus de São Paulo, de que é acusado por denúncia do Ministério Público. Em depoimentos no Tribunal de Justiça Militar, policiais militares apontaram o político como "dono de fato" de uma das concessionárias de ônibus que teve o contrato cancelado por acusação de lavagem de dinheiro para o PCC. “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas.
Vou provar minha inocência em todas as acusações”, disse por nota o político. As investigações apontam que mais da metade das empresas do setor estaria comprometida. Presidente do União Brasil de São Paulo, Milton Leite é um dos políticos locais de maior tradição.
Aos 70 anos, construiu sua base eleitoral principalmente no Grajaú e arredores da Zona Sul. Os bairros da região, considerada humilde, é onde ele exerce grande influência. É natural de Piraporinha, lugar onde começou a vida como vendedor de pão ambulante.
Oficialmente empresário, Leite ocupou o cargo de vereador por mais de 27 anos, entre 1997 e 2024. Naquele último ano, quando a infiltração do PCC passou a ser investigada, decidiu não disputar novas eleições, mas ainda foi cabo eleitoral do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Em junho de 2025, recebeu o Colar de Honra ao Mérito Legislativo da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp).
A honraria foi concedida por "preservação de mananciais, desenvolvimento urbano e habitação, com foco em regiões da periferia paulistana, sobretudo na zona sul da Capital", diz o texto da Alesp. A reportagem descreve seu caminho: "da periferia ao poder". Na ocasião, Leite afirmou que um político deve procurar "não dar a palavra", mas honrar se a der.
"Procure não dar a palavra, mas se der, honre e faça valer a sua palavra", disse. Milton começou na política em 1990. Quando jovem, filiou-se ao PCB e, posteriormente, ao MDB, o partido pelo qual cumpriu seus mandatos iniciais.
Em 2008, migrou para o DEM, partido que mais tarde daria origem ao atual União Brasil. Sua primeira eleição para a Câmara Municipal ocorreu em 1996, sendo reeleito por seis vezes consecutivas (2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020). Em 2016 e 2020, foi o segundo vereador mais votado de São Paulo, alcançando 132.
716 votos neste último pleito. Leite presidiu a Câmara Municipal em diversos períodos: 2017–2018/2019, esta, na gestão de João Doria, do PSDB, e de 2021 a 2024 (nas gestões Bruno Covas e Ricardo Nunes ). Durante seus mandatos no Legislativo, exerceu interinamente o cargo de prefeito de São Paulo por cerca de 100 dias, tornando-se o vereador que mais tempo ocupou o Executivo nessa condição.
Além disso, foi articulador decisivo nas campanhas de Doria (2016) e Nunes. Em 2024, depois de anunciar que não disputaria novo mandato e que se "aposentaria" da vida pública eletiva, manteve sua influência: seguiu presidindo o diretório estadual do União Brasil e a Federação União Progressista em São Paulo, além de ter indicado sucessores na presidência da Câmara, como Ricardo Teixeira, e apoiado candidatos em seu reduto na Zona Sul. Milton Leite consolidou uma estrutura familiar e de aliados no Legislativo: Milton Leite Filho, o “Miltinho”: deputado estadual desde 2007 e candidato neste ano.
Alexandre Leite: deputado federal e ex-secretário de Relações Institucionais da Prefeitura na gestão Ricardo Nunes. Em 2024, apoiou a eleição de afilhados políticos para a Câmara Municipal, como Silvinho e Silvão Leite (que usam o sobrenome politicamente, sem laço de consanguinidade) e a Pastora Sandra Alves.
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