PSOL deixa de eleger sete deputados em São Paulo após rejeitar federação com o PT
Decisão de manter autonomia partidária reduziu aproveitamento de votos da coligação PSOL/Rede sob as regras de quociente eleitoral do TSE.

A federação partidária PSOL/Rede conquistou seis cadeiras na Câmara dos Deputados por São Paulo nas eleições do último domingo, 4 de outubro, apesar de registrar quase 3 milhões de votos no estado. O resultado decorre da rejeição, em março, da proposta de coligação em uma federação única com o PT, PCdoB e PV, o que reduziu o aproveitamento eleitoral da sigla sob as regras vigentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A legislação eleitoral exige que cada candidato obtenha pelo menos 10% do quociente eleitoral para se eleger, o que representava cerca de 35 mil votos em São Paulo. A votação do PSOL se concentrou fortemente em duas candidatas, Erika Hilton e Sâmia Bomfim. Com isso, apenas seis concorrentes do partido superaram a barreira individual, impedindo que os votos excedentes fossem utilizados para eleger outros nomes da própria chapa.
O advogado especialista em Direito Eleitoral Alexandre Bissoli calcula que o partido deixou de ocupar cerca de sete cadeiras devido ao desempenho individual dos candidatos no fim da lista. Segundo o especialista, caso a legenda estivesse coligada com o PT, os votos sobressalentes do PSOL teriam sido transferidos para preencher as vagas com candidatos mais votados da outra sigla parceira.
Em âmbito nacional, a federação PSOL/Rede elegeu 15 deputados federais, mas não atingiu a cláusula de desempenho por não obter o mínimo de 1.5% dos votos em pelo menos nove unidades da federação, alcançando o índice em apenas oito estados. O cientista político Renato Dolci aponta que a associação com o PT teria evitado esse problema de distribuição regional de votos.
A oposição liderada pelo PL e partidos de centro-direita vão compor mais de 75% dos assentos da Câmara dos Deputados a partir de 2027. O pesquisador Leonardo Paz Neves, da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que a composição exigirá atuação conjunta dos partidos de esquerda para tentar conter alterações em pautas sociais e constitucionais nos próximos quatro anos.
A decisão de recusar a aliança nacional com o PT ocorreu em votação do Diretório Nacional do PSOL, que rejeitou a proposta de Guilherme Boulos por 47 votos a 15. A liderança partidária optou por manter a independência de atuação parlamentar e o direito de criticar ou apoiar o governo federal, evitando o vínculo obrigatório de quatro anos exigido pelo formato de federação.
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