Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Promessa de Lula, Ferrovia Transnordestina segue incompleta após 19 anos de obras

Anunciada como um dos principais projetos de infraestrutura logística do Brasil, a Ferrovia Transnordestina segue incompleta quase duas décadas após o início das obras, em 2006. A construção foi prome...

Por Reprodução13/03/2026 às 00:003 min de leitura
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Promessa de Lula, Ferrovia Transnordestina segue incompleta após 19 anos de obras
Imagem: Reprodução

Anunciada como um dos principais projetos de infraestrutura logística do Brasil, a Ferrovia Transnordestina segue incompleta quase duas décadas após o início das obras, em 2006. A construção foi promessa de campanha ainda durante a primeira eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após paralisações ao longo de duas décadas, para operar plenamente a ferrovia ainda depende da conclusão de alguns trechos.

A promessa é de estar pronta a partir de 2028, segundo o cronograma mais recente da concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA).

O projeto foi desenvolvido para ligar áreas produtoras do interior do Nordeste ao Porto do Pecém, no Ceará, facilitando o escoamento de grãos, fertilizantes e minérios. No total, a ferrovia terá cerca de 1.206 quilômetros de extensão e passará por 53 municípios.

Em julho de 2025, durante o anúncio de R$ 1,4 bilhão para a ferrovia Transnordestina, na região de Missão Velha, no Ceará, Lula assumiu a responsabilidade de concluir a ferrovia "custe o que custar". O presidente ainda concordou que as obras já deveriam estar concluídas. "Eu imaginei que ela fosse acabar em 2012.

Eu saí em 2010, voltei à Presidência 13 anos depois e essa ferrovia tinha andado muito pouco". Desde que foi lançada, a obra da ferrovia passou por uma série de interrupções. Somente no início de 2023 o governo federal anunciou um novo aporte para a continuidade das obras.

De acordo com o Ministério dos Transportes, foram mobilizados R$ 3,6 bilhões, recurso que permitiu reativar frentes de trabalho e retomar trechos que estavam paralisados. As obras estão divididas em duas fases de execução que contemplam 19 lotes. A malha concessionada é distribuída territorialmente com 609 quilômetros de trilhos no Ceará, 395 quilômetros no Piauí, e um trecho central de 202 quilômetros em Pernambuco.

Pelo cronograma atual, a chamada fase 1, entre Paes Landim (PI) e o Porto do Pecém, deve ser concluída em 2027. A fase 2, que liga Paes Landim a Eliseu Martins (PI), tem previsão de entrega para 2028. O investimento total estimado na ferrovia chega a R$ 15 bilhões.

Desse montante, cerca de R$ 11,3 bilhões já foram aplicados. O avanço físico global do projeto está em torno de 71%. Na fase 1, que concentra a maior parte das obras em execução, o progresso chega a cerca de 80%, de acordo com a concessionária.

Entre os segmentos concluídos está o trecho entre Paes Landim (PI) e Acopiara (CE). No trecho seguinte, entre Acopiara e o Porto do Pecém, todos os lotes estão contratados, mas ainda em fase de obras. Segundo o Ministério dos Transportes, não há pendências ambientais, desapropriações ou entraves contratuais relevantes que possam comprometer o cronograma apresentado.

A concessão da ferrovia foi formalizada em 2014, com prazo de 30 anos, sob supervisão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Questionado pela Gazeta do Povo sobre quem responde pelos quase 20 anos de atraso na entrega da ferrovia Transnordestina, o Ministério dos Transportes não respondeu.

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