Por que árvores centenárias da Argentina viraram objeto de contrabando no Brasil
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu seis oliveiras centenárias no último domingo (12) em Maringá, no interior do Paraná. A carga oriunda de contrabando saiu da Argentina e seguiria para Hercu...

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu seis oliveiras centenárias no último domingo (12) em Maringá, no interior do Paraná. A carga oriunda de contrabando saiu da Argentina e seguiria para Herculândia, na região de Marília, em São Paulo. O motorista do caminhão que transportava as árvores não apresentou a documentação fiscal obrigatória, que envolve a permissão fitossanitária de importação e os resultados oficiais de laboratórios que comprovam a não presença de pragas, além do próprio desembaraço aduaneiro.
Com isso, ele foi preso em flagrante e a carga foi depositada em um pátio da Receita Federal. Esse tipo de apreensão tem se tornado comum principalmente nas fronteiras do Paraná e de Santa Catarina com a Argentina, e também em rodovias no interior do Paraná, nas regiões de Cascavel e Maringá. Segundo a PRF, mais de cem exemplares dessas árvores foram apreendidos desde o ano passado.
O contrabando de oliveiras se transformou em um negócio lucrativo para revendedores que abastecem empresas de arquitetura e paisagismo. Por sua vez, elas destinam as árvores para projetos de casas e condomínios de luxo, especialmente em São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Como a Gazeta do Povo mostrou anteriormente, um exemplar de uma oliveira centenária pode custar, no mercado regular, cerca de R$ 100 mil.
Ao ser importada de forma clandestina, o custo dela cai significativamente para o comprador. As oliveiras são árvores com origem na região do Mediterrâneo, além de áreas do Oriente Médio. Muito tradicionais na Espanha para a produção de azeite, elas foram exportadas para a Argentina no século XVII durante a colonização espanhola.
Elas também foram levadas para o Chile e para o Uruguai. No Brasil, por outro lado, as oliveiras foram introduzidas em maior escala somente no século XX. Devido à baixa produtividade, as oliveiras estão sendo substituídas em algumas regiões da Argentina, o que faz com que o produto seja facilmente vendido e em grandes quantidades para o Brasil.
Soma-se a isso o fato de que se tratam de árvores com mais de 200 anos, aumentando seu valor no mercado clandestino.
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