Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Por que 41% dos brasileiros percebem crime organizado em seus bairros?

Vinte anos após os ataques históricos do PCC em São Paulo, uma pesquisa do Datafolha revela que quatro em cada dez brasileiros percebem a presença do crime organizado em seus bairros. O estudo, divulg...

Por Reprodução11/05/2026 às 18:003 min de leitura
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Por que 41% dos brasileiros percebem crime organizado em seus bairros?
Imagem: Reprodução

Vinte anos após os ataques históricos do PCC em São Paulo, uma pesquisa do Datafolha revela que quatro em cada dez brasileiros percebem a presença do crime organizado em seus bairros. O estudo, divulgado nesta segunda-feira (11), mostra que a insegurança deve ditar o rumo das eleições de 2026. A influência dessas facções vai além do tráfico.

Entre os brasileiros que notam a presença de grupos criminosos onde moram, mais de um terço afirma que eles exercem 'muita' influência nas regras de convivência do bairro. Isso significa que esses grupos acabam ditando normas de comportamento e horários, substituindo muitas vezes o papel do Estado na organização da comunidade. O medo é quase unânime: 96,2% dos entrevistados temem alguma situação de violência.

Curiosamente, o topo da lista não é um crime físico, mas digital. O maior pânico atual é ser vítima de um golpe e perder dinheiro pela internet ou celular, preocupação de 83,2% das pessoas. Logo atrás vêm os temores de assalto à mão armada, morte durante roubo e o risco de ser atingido por balas perdidas.

Os ataques de maio de 2006, que paralisaram São Paulo após a transferência de líderes como Marcola para presídios de segurança máxima, foram um divisor de águas. O governo, que antes tratava a facção quase como um boato, precisou criar a polícia penal e ampliar o sistema prisional. Embora crimes contra a vida tenham caído no estado desde então, a ousadia da facção continua alta, como mostrado na execução de um delator no Aeroporto de Guarulhos em 2024.

Especialistas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública alertam que o sentimento de medo será o grande motor das escolhas eleitorais em outubro de 2026. Segundo os coordenadores do estudo, o eleitor não deve se basear apenas em dados estatísticos ou argumentos racionais, mas sim nos 'gatilhos de insegurança' que vive no dia a dia, tornando a segurança pública o tema central do debate político. O Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) é uma forma de isolamento bem mais rigorosa para presos perigosos, com restrição total de contato.

Em 2006, a decisão de transferir centenas de presos para este regime em unidades isoladas serviu de pavio para que o PCC ordenasse rebeliões em 74 presídios e uma onda de ataques nas ruas que matou mais de 560 pessoas, incluindo dezenas de policiais. Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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