Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Operação expõe “núcleo político” do Comando Vermelho no Amazonas com consórcio de traficantes

Tudo começou com algo “trivial”: a apreensão de 500 tabletes de “maconha gourmet” colombiana, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações utilizadas no transporte da droga e das armas, um veículo uti...

Por Reprodução16/03/2026 às 18:003 min de leitura
Compartilhar:WhatsAppTelegramXFacebook
Operação expõe “núcleo político” do Comando Vermelho no Amazonas com consórcio de traficantes
Imagem: Reprodução

Tudo começou com algo “trivial”: a apreensão de 500 tabletes de “maconha gourmet” colombiana, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações utilizadas no transporte da droga e das armas, um veículo utilitário empregado na logística terrestre, além de aparelhos celulares. Um suspeito foi preso em flagrante na ocasião pela Polícia Civil, enquanto a droga era transferida dos barcos para o veículo nas proximidades de Manaus, em agosto do ano passado. O restante dos envolvidos no ato do flagrante conseguiu fugir.

Até aí, nada de novo ou muito diferente na rotina policial sob o sol forte do Amazonas. A investigação desenrolada a partir desta apreensão pela Polícia Civil do Amazonas, porém, revela como funciona por dentro a Rota Amazônica, considerado como um dos dois principais trajetos para trazer drogas, notoriamente cocaína e maconha, dos países produtores vizinhos na América do Sul para dentro do Brasil — de onde, por sua vez, além de serem distribuídas em território nacional, são exportadas para Europa, África e Ásia. A operação "Erga Ornes", deflagrada em fevereiro pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), cumpriu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão.

Também foram autorizados bloqueio de contas, sequestro de bens e quebra de sigilo bancário. As ordens foram cumpridas no Amazonas e mais seis estados. A polícia identificou movimentações financeiras das conexões operacionais do esquema Brasil afora, o que expandiu a apuração para outros estados.

As investigações revelam o tamanho da infiltração do crime organizado no poder público local. Além disso, relevou uma espécie de consórcio de traficantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho de pelo menos sete estados — Amazonas, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí — que financiava a estrutura necessária para operar na rota e recebia em suas localidades a droga contrabandeada no esquema. O líder da quadrilha preso em Manaus, de acordo com a polícia, recebia depósitos que iam de R$ 100 mil a R$ 700 mil de traficantes de outros estados para financiar cada operação de aquisição e transporte de drogas da Colômbia para o Amazonas, de onde depois os entorpecentes eram distribuídos para os outros estados.

Assim, em uma espécie de consórcio criminal, com traficantes ligados ao Comando Vermelho, operava uma linha direta para contrabandear as drogas para o Brasil a um custo mais baixo. Outras inúmeras quadrilhas ligadas a facções seguem em atividade com o mesmo “modelo de negócios” na região. As investigações continuam.

Fique por dentro das principais notícias no WhatsApp

Receba em primeira mão alertas de política, economia e TV ao vivo.

Quero receber
Compartilhar:WhatsAppTelegramXFacebook

Leia Também