Onde são criados os cavalos militares usados pelo Exército no Brasil?
Por Gazeta do Povo Lab Por Bruno Maffi 22/03/2026 às 11:36 A Coudelaria de Rincão, em São Borja (RS), é a única unidade do Exército Brasileiro dedicada à criação e ao treinamento de cavalos militares....

Por Gazeta do Povo Lab Por Bruno Maffi 22/03/2026 às 11:36 A Coudelaria de Rincão, em São Borja (RS), é a única unidade do Exército Brasileiro dedicada à criação e ao treinamento de cavalos militares. Com mais de 15 mil hectares, a fazenda produz animais para patrulhamento, cerimoniais e intercâmbios com outros países da América Latina. Diferente de um haras, que é uma propriedade privada, uma coudelaria é um centro de criação de cavalos gerido pelo Estado ou militares.
Em São Borja, a unidade de Rincão concentra o nascimento, a criação e o treinamento dos animais que compõem o arsenal de guerra brasileiro, atuando em combates, patrulhas de fronteira e eventos cerimoniais onde veículos não conseguem chegar. O processo é cuidadoso e exige um planejamento de cinco anos. Tudo começa com a organização financeira e o emprenhamento das éguas.
Após o nascimento, os potros vivem três anos no campo antes de iniciarem a doma e o treinamento técnico. Atualmente, a unidade entrega cerca de 150 a 170 animais prontos para o serviço por ano, o que equivale a um cavalo a cada dois dias. O destaque é o Brasileiro de Hipismo (BH), com mais de 800 exemplares voltados para equitação e desporto.
Também são criados o Puro-Sangue Inglês, o Bretão (usado estrategicamente na reprodução como receptora de embriões), o Cavalo Crioulo (preferido para patrulhamento ostensivo policial) e o Polo Argentino. Cada raça é escolhida por suas aptidões físicas e cardiorrespiratórias. Os cavalos atendem diversas frentes: os regimentos de guarda em Brasília (Dragões da Independência), unidades no Rio de Janeiro e Porto Alegre, e a Escola de Equitação do Exército.
Além disso, as Polícias Militares estaduais e a Força Aérea Brasileira utilizam os equinos para choque e patrulha. Há também intercâmbios genéticos e envio de animais para a Argentina e o Paraguai. No início da Segunda Guerra Mundial, o Brasil possuía quase 23 mil cavalos.
Com a mecanização das Forças Armadas e o uso de tanques e veículos blindados, a necessidade reduziu drasticamente. Atualmente, o efetivo total é de 2.181 animais.
Em 1988, o Exército unificou todas as suas antigas coudelarias em Rincão devido à grande área disponível e à tradição gaúcha na criação equina. Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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