Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

O negócio que cresce a quase mil metros de altitude e transforma a região mais fria do Brasil

Quando plantou as primeiras mudas de uva há quase 25 anos, no frio da serra catarinense, o empresário Everson Suzin apostava em um projeto incerto. Hoje, ele integra um setor que cresce acima de 900 m...

Por Reprodução21/03/2026 às 12:002 min de leitura
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O negócio que cresce a quase mil metros de altitude e transforma a região mais fria do Brasil
Imagem: Reprodução

Quando plantou as primeiras mudas de uva há quase 25 anos, no frio da serra catarinense, o empresário Everson Suzin apostava em um projeto incerto. Hoje, ele integra um setor que cresce acima de 900 metros de altitude e ajuda a consolidar a região como referência nacional em vinhos finos — os chamados vinhos de altitude. O que parecia improvável no início dos anos 2000 — produzir rótulos de alta qualidade em uma das regiões mais frias do país — virou uma atividade sofisticada, em expansão e com reconhecimento de mercado.

A trajetória de Suzin acompanha a evolução do setor. O investimento surgiu a partir de um movimento de empresários locais, incentivados por estudos técnicos e experiências internacionais. “A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) dizia que a região tinha potencial.

Meu pai foi para a Itália, gostou do que viu, e eu ergui a bandeira do vinho”, afirma o empresário. Sem conhecimento prévio, o caminho foi estudar. “A gente não sabia nada, mas via potencial”, conta.

Ao longo dos anos, ele acumulou especializações e até um mestrado em vitivinicultura. “É estudo contínuo.” Apesar da valorização, o retorno é gradativo.

“O payback — tempo necessário para recuperar o capital investido — pode chegar a 12 ou 15 anos”, afirma. Segundo Suzin, o diferencial está na agregação de valor. “Produzir só a uva não se paga como outras culturas.

O ganho está no vinho — mas exige estrutura, investimento e marca". A Vinícola Suzin, localizada em São Joaquim (SC), produz entre 90 e 105 toneladas de uva por ano, o que resulta entre 45 mil a 60 mil garrafas para vinificação própria, conforme a safra. O restante da uva é vendida para outras vinícolas da região.

O principal risco segue sendo o clima. Geadas tardias podem comprometer toda a produção. “Tivemos geada em novembro que destruiu o vinhedo inteiro”, relata o empresário.

Ao mesmo tempo, é esse ambiente que propicia a identidade do produto. A colheita tardia permite maior maturação das uvas. O resultado são vinhos com teor alcoólico elevado (até 15,9%), boa acidez, taninos mais concentrados e maior intensidade de cor.

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