Terça-feira, 6 de outubro de 2026

O brasileiro que rompeu uma tradição de 600 anos e assumiu o coro mais antigo do mundo

Por seiscentos anos, a Cappella Musicale Pontificia Sistina — o "Coro do Papa", responsável pela trilha sonora das celebrações mais solenes do Vaticano — teve à frente apenas maestros italianos. Em 20...

Por Reprodução19/07/2026 às 12:002 min de leitura
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O brasileiro que rompeu uma tradição de 600 anos e assumiu o coro mais antigo do mundo
Imagem: Reprodução

Por seiscentos anos, a Cappella Musicale Pontificia Sistina — o "Coro do Papa", responsável pela trilha sonora das celebrações mais solenes do Vaticano — teve à frente apenas maestros italianos. Em 2020, essa sequência ininterrupta foi quebrada. O papa Francisco nomeou Marcos Pavan, presbítero católico nascido em São Paulo, como maestro diretor desse coro sem paralelo em longevidade no mundo ocidental.

Pela primeira vez, Pavan acaba de trazer o coro ao Brasil, em turnê inédita pela América Latina. O maestro diretor da Cappella Sistina responde pela formação musical e litúrgica de um coro que canta nas principais cerimônias do papado — da Semana Santa aos funerais de pontífices, incluindo o do próprio Francisco, em 2025. Antes de Pavan, o posto nunca havia sido ocupado por um estrangeiro.

A trajetória começou longe de Roma. Pavan formou-se musicalmente em São Paulo, com foco em canto e voz, e trabalhou como cantor lírico e regente antes de deixar o Brasil rumo à Itália, em 1991. Levou quase uma década para conquistar a primeira função dentro da Cappella Sistina: passou a comandar os meninos cantores do coro, conhecidos como Pueri Cantores.

Entre a chegada como maestro dos Pueri Cantores e a nomeação ao posto mais alto, Pavan passou 22 anos dentro da estrutura da Cappella Sistina — tempo suficiente para integrar o time de bastidores nos álbuns que o coro gravou pela gravadora histórica Deutsche Grammophon. Pavan teve formação técnica rigorosa, décadas de serviço dentro da instituição e aprovação direta do papa. As apresentações de agora pelo continente integram as comemorações dos 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, e reforça o peso simbólico da escolha do país como estreia latino-americana do coro.

"O fato de Marcos Pavan exercer essa missão evidencia que músicos brasileiros podem alcançar posições de grande relevância no cenário internacional", afirma o músico e pesquisador Clayton Dias, de Campinas, um dos principais peritos brasileiros em missal romano. Para Dias, a trajetória do maestro funciona como incentivo a uma nova geração de regentes e musicólogos brasileiros dedicados à música sacra.

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