Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Lula inicia quarto mandato com o desafio de ajustar contas públicas

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta pressões fiscais e desconfiança do mercado para equilibrar o Orçamento nos próximos anos.

Por Redação WebTV Brasil26/10/2026 às 06:022 min de leitura
Fonte: Money Times (Leia)
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Lula inicia quarto mandato com o desafio de ajustar contas públicas
Imagem: Money Times

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito para o seu quarto mandato não consecutivo e terá o desafio de colocar as contas públicas em ordem. Analistas e agentes de mercado apontam desconfiança após a implementação de medidas no ano eleitoral que elevaram os gastos e reduziram as receitas do governo federal. O Tesouro já alertava em junho que a estratégia fiscal para 2030 seria insustentável a partir de 2028 sem novas ações.

A dívida bruta do governo geral aumentou mais de 10 pontos percentuais durante a gestão, alcançando 82,9% do PIB. Cálculos do FMI indicam que o indicador deve encerrar o ano 20 pontos percentuais acima da média das economias emergentes. O Citi estima que estabilizar essa alta exigiria um superávit primário de 3,3% do PIB, enquanto o resultado atual gira em torno de um déficit de 0,5% do PIB, o que representa um esforço fiscal próximo de 4 pontos percentuais do PIB.

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Durante a campanha, a equipe econômica prometeu um ajuste gradual de aproximadamente 2% do PIB ao longo do novo mandato, com revisão de incentivos tributários e consolidação de programas sociais. No entanto, medidas recentes como o reajuste do Bolsa Família, o fim de tributos sobre compras internacionais e apostas online, além de promessas de tarifa zero no transporte aos fins de semana, geram dúvidas sobre a sustentabilidade do plano.

O diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente, Marcus Pestana, declarou que o presidente precisará fazer o dever de casa e apresentar um plano crível para ancorar as expectativas. Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, avaliou que o quadro ficou mais complexo após as medidas expansionistas e defendeu a redução da taxa máxima de variação dos gastos públicos e o corte de emendas parlamentares.

O cenário econômico também envolve pressões sobre a inflação e os juros. A inflação alcançou 4,6% nos 12 meses até setembro, mantendo-se acima da meta de 3%. O Banco Central reduziu a taxa Selic para 13,75% ao ano, mas projeções indicam que os juros permanecerão em dois dígitos pelos próximos três anos, mantendo o Brasil entre as maiores taxas de juros reais do mundo.

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