Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Estudo de USP e Unicamp aponta que treino em excesso altera dopamina

Pesquisa publicada em outubro mostra que esforço físico extremo desregula os níveis de dopamina no hipocampo e causa inflamação cerebral.

Por Redação WebTV Brasil30/10/2026 às 12:052 min de leitura
Fonte: CNN Brasil (Leia)
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Estudo de USP e Unicamp aponta que treino em excesso altera dopamina
Imagem: CNN Brasil

Um estudo conduzido em parceria entre a Universidade de São Paulo e a Universidade Estadual de Campinas apontou que a prática de exercícios físicos em excesso pode alterar a regulação química do cérebro. A pesquisa, divulgada em outubro na revista Neuroscience, constatou que o esforço extremo provoca oscilações nos níveis de dopamina no hipocampo, região cerebral associada à memória e à regulação das emoções.

O trabalho investigou o comportamento da sinalização monoaminérgica quando o corpo é submetido a limites físicos extremos, avaliando tanto treinos únicos e exaustivos quanto períodos prolongados de sobretreinamento. Os resultados divergiram da teoria clássica da fadiga central, que atribui o esgotamento físico ao aumento da serotonina cerebral ou da diferença entre serotonina e dopamina. Conforme os pesquisadores, os níveis de serotonina não registraram alterações significativas, enquanto a dopamina apresentou oscilações.

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O experimento utilizou camundongos machos divididos em protocolos agudo e crônico. No grupo submetido ao exercício exaustivo único, os animais apresentaram um aumento imediato nas concentrações de dopamina e uma queda na tirosina hidroxilase, enzima responsável pela produção da substância. Já no grupo de treinamento crônico, que durou oito semanas em esteira com intensidade progressiva, os testes revelaram uma redução no rendimento físico e um aumento persistente nos níveis de dopamina durante a fase de descanso.

Segundo os autores do estudo, a oscilação na dopamina pode explicar quadros de insônia, hipervigilância e recuperação deficiente observados em atletas com sobretreinamento. A dopamina atua na manutenção do estado de alerta no sistema nervoso central, o que pode gerar hiperatividade durante os períodos destinados ao repouso. O cruzamento de dados genéticos também indicou que a produção excessiva da substância está associada ao aumento da inflamação cerebral, fator que deixou os animais mais reativos ao estresse.

A pesquisa aponta que o treinamento excessivo gera um estado inflamatório constante no organismo. Com isso, o estudo conclui que a sobrecarga física compromete o rendimento dos atletas e pode provocar problemas como estresse elevado, oscilações de humor e esgotamento mental.

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