Estudo aponta que erradicação de pardais na China agravou fome
Pesquisa indica que campanha governamental contra aves nos anos 1950 reduziu colheitas e elevou mortalidade durante crise.

Em 1958, o governo chinês liderado por Mao Zedong implementou uma campanha para erradicar a população de pardais no país sob a premissa de que as aves consumiam grãos e prejudicavam a produção agrícola. A iniciativa integrou a chamada Campanha das Quatro Pragas, diretriz que visava também a eliminação de ratos, moscas e mosquitos para alterar as condições sanitárias e expandir a oferta de alimentos na época.
Para atingir o objetivo, moradores de áreas urbanas e rurais foram mobilizados para bater panelas, frigideiras e tambores. O barulho contínuo impedia o pouso dos pássaros, provocando a morte das aves por exaustão. As ações incluíram ainda a destruição de ninhos e a aplicação de venenos pelas equipes governamentais.

A estratégia estatal desconsiderou que os pardais se alimentavam de insetos prejudiciais às plantações, sobretudo no período de reprodução. Sem a presença dos predadores naturais, houve expansão populacional de gafanhotos, que intensificaram os danos às safras e reduziram o controle biológico nas lavouras.
A queda na produção agrícola coincidiu com a Grande Fome Chinesa, ocorrida entre 1959 e 1961 durante o programa Grande Salto Adiante. Um estudo publicado em 2025 por pesquisadores ligados à Universidade de Chicago e ao National Bureau of Economic Research analisou estatísticas históricas de produção e mortalidade do período.
Os dados apontam que regiões com maior adequação geográfica à presença de pardais registraram reduções adicionais de 5,3% na produção de arroz e de 8,7% na de trigo, em comparação com locais de menor ocorrência da espécie. A pesquisa estima que os impactos decorrentes da campanha tenham contribuído para cerca de 2 milhões de mortes adicionais durante a crise alimentar, fazendo o governo retirar a ave da lista de eliminação em 1960.
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