Domingo, 4 de outubro de 2026

Enquanto Comando Vermelho mira expansão e domínio de território, PCC investe na internacionalização

Com origens em comum dentro dos sistemas prisionais carioca e paulista, respectivamente, Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) apostam hoje em estratégias diferentes para garantir ...

Por Reprodução20/02/2026 às 10:363 min de leitura
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Enquanto Comando Vermelho mira expansão e domínio de território, PCC investe na internacionalização
Imagem: Reprodução

Com origens em comum dentro dos sistemas prisionais carioca e paulista, respectivamente, Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) apostam hoje em estratégias diferentes para garantir o fortalecimento, enriquecimento e perpetuação de seus grupos criminosos e lideranças — além de evitar conflitos entre si. Nos últimos anos, enquanto o Comando Vermelho tem focado sua atuação criminosa na expansão e controle territorial Brasil afora, o PCC “sumiu" das principais praças do país, com exceção de São Paulo, evita embates com outras facções e mira na expansão internacional através do tráfico de drogas transfronteiriço, principalmente em direção à Europa e Ásia. Durante muito tempo, desde suas fundações — o CV é criado no final dos anos 1970 e o PCC, no início dos anos 1990 — até a década de 2010, PCC e Comando Vermelho viviam em paz, em uma espécie de aliança informal.

Enquanto a facção carioca limitava-se a atuar, primordialmente, dentro do Rio de Janeiro e a paulista, em São Paulo, tudo ia bem entre os dois grupos criminosos. Existia um acordo para que uma facção não perturbasse o território da outra, e até uma parceria informal na compra de drogas dos cartéis latino-americanos nas principais rotas do Sudeste e Centro-Oeste chegou a existir durante vários anos. A situação começou a mudar a partir de 2014, quando disputa por novos territórios e rotas de transporte de drogas, principalmente no Nordeste e no Norte do país, transformou as duas facções até então aliadas em rivais, com uma explosão da violência e assassinatos país afora, principalmente na região Nordeste.

O rompimento definitivo da aliança entre o PCC e o CV, consolidado em 2016, não foi apenas um desentendimento comercial, foi um divisor de águas geopolítico. O estopim ocorreu com o assassinato do traficante Jorge Rafaat Toumani, o "Rei da Fronteira", em Pedro Juan Caballero, de quem tanto PCC quanto CV compravam drogas. A eliminação de Rafaat permitiu ao PCC o controle direto da rota usada para trazer drogas pelo Paraguai, conhecida como Rota Caipira, dispensando intermediários e ferindo os interesses do CV, que dependia daquela via para abastecer o Rio de Janeiro.

Paralelamente, as duas facções passaram a disputar o controle das rotas amazônicas e tanto de mercados quanto de rotas internacionais no Nordeste do país.

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