Terça-feira, 6 de outubro de 2026

El Niño retorna e acende alerta no Brasil; veja quais regiões podem sentir mais impactos

A confirmação do fenômeno climático El Niño pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos reacendeu o alerta para possíveis impactos em diversas regiões do Brasil nos próximos meses. A ...

Por Reprodução12/06/2026 às 18:005 min de leitura
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El Niño retorna e acende alerta no Brasil; veja quais regiões podem sentir mais impactos
Imagem: Reprodução

A confirmação do fenômeno climático El Niño pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos reacendeu o alerta para possíveis impactos em diversas regiões do Brasil nos próximos meses. A agência norte-americana anunciou nesta quinta-feira (11) que o fenômeno já está estabelecido, após meses de aquecimento gradual das águas do Oceano Pacífico Equatorial. "As condições do El Niño estão presentes e espera-se que se intensifiquem durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte e atinjam o ápice entre a primavera e o verão 2026/2027 do Hemisfério Sul", afirma a agência climática dos EUA.

Uma nota técnica publicada nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) alerta sobre os riscos que os efeitos do El Niño representam. A nota relata a possibilidade de fortes ondas de calor, seca e excesso de chuva. "Extremos climáticos podem causar impactos marcantes em diversos setores da sociedade e da economia, afetando o abastecimento de água, a segurança alimentar, a geração de energia, a mobilidade, a saúde pública e as atividades produtivas em diferentes regiões do país", aponta a nota.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os episódios intensos não produzem os mesmos impactos em todas as regiões do Brasil. No entanto, quanto maior a intensidade do El Niño, maior tende a ser sua influência sobre os padrões de temperatura e precipitação no país. No Sul, a tendência é de aumento das chuvas, com maior frequência de temporais e risco ampliado de enchentes.

Já no Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno costuma reduzir os volumes de precipitação, favorecendo estiagens mais severas e prolongadas. No Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos mais comuns incluem temperaturas acima da média, ondas de calor mais frequentes e distribuição irregular das chuvas ao longo da estação, abrangendo os estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Bahia. O acompanhamento feito por meteorologistas também aponta para um cenário de atenção para os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, onde a combinação entre volumes elevados de chuva e eventos extremos tem potencial de aumentar o risco de novas inundações.

Em contrapartida, a previsão para o segundo semestre indica agravamento da seca em áreas da Amazônia, da Caatinga, do Cerrado e do Pantanal. Nessas regiões, a redução das chuvas pode afetar rios, reservatórios, atividades agropecuárias e elevar o risco de queimadas. O Inmet realiza previsão climática para até três meses.

A mais recente, publicada nesta sexta-feira (12), corresponde ao trimestre julho-agosto-setembro. A previsão aponta probabilidade de ocorrer chuva acima da média no Rio Grande do Sul no período, em até 200 mm. Já as temperaturas médias tendem a ficar acima da média com desvios de até 1,5ºC no Paraná e até 1ºC acima em Santa Catarina e centro-norte do Rio Grande do Sul.

Região Norte Região Nordeste Região Centro-Oeste Região Sudeste Região Sul Um estudo publicado em 2025 pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) analisou 45 anos de dados hidrológicos e concluiu que o El Niño aumenta a probabilidade de cheias na Bacia do Prata, região que abrange parte do território gaúcho. Segundo o pesquisador Rodrigo Paiva, ainda não é possível prever se o Sul enfrentará cheias semelhantes às registradas em 2024. Mesmo assim, ele defende a aceleração de medidas preventivas "como investimentos em Defesa Civil, sistemas de monitoramento e reconstrução de estruturas de proteção".

Entre 2023 e 2024, as enchentes históricas registradas no Rio Grande do Sul afetaram cerca de 2,4 milhões de habitantes, com quase 200 mil pessoas desalojados ou desabrigadas. O estado registrou 184 mortes na tragédia, de acordo com os dados do governo do Rio Grande do Sul. No mesmo período, o Amazonas enfrentou a maior estiagem de sua história recente, com o rio Negro atingindo o menor nível em mais de um século.

De acordo com o governo do estado, o colapso ambiental afetou mais de 750 mil pessoas, isolou comunidades inteiras devido ao desaparecimento de rios, e deixou 100% dos municípios em situação de emergência. A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos informou que existe 63% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Caso a projeção se confirme, o episódio poderá integrar o grupo dos mais intensos já registrados desde 1950.

"Há 63% de probabilidade de um El Niño muito forte durante o período de novembro a janeiro, que se classificaria entre os maiores eventos El Niño já registrados historicamente, desde 1950", afirma o órgão norte-americano. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) também projeta um evento ao menos moderado, com possibilidade de atingir intensidade forte. Modelos climáticos do Centro Europeu para Previsões Climáticas de Médio Prazo indicam que o aquecimento das águas do Pacífico pode superar 3°C.

O El Niño se caracteriza pelo aquecimento de pelo menos 0,5°C das águas do Pacífico Equatorial. A La Niña, por sua vez, ocorre quando essas mesmas águas apresentam resfriamento. Os dois fenômenos representam fases opostas do El Niño-Oscilação Sul (Enos).

O fenômeno costuma ocorrer em intervalos de dois a sete anos, tem duração média de até 12 meses e influencia os padrões climáticos em diversas partes do mundo. Além disso, contribui para o aumento da temperatura média global.

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