Economista da XP aponta pressão inflacionária e desafio para o Banco Central em 2027
Caio Megale cita alta do petróleo e variação cambial como fatores que elevam as projeções de inflação e complicam o cumprimento da meta de 3%.

O economista-chefe da XP, Caio Megale, afirmou que a combinação de fatores externos e internos tem pressionado as projeções de inflação para 2027. Segundo o especialista, o valor do barril de petróleo próximo a 110 dólares e a desvalorização cambial, que levou o dólar a oscilar entre 5,30 e 5,40 reais, são os principais condutores da deterioração das expectativas de preços no Brasil. O aumento nos custos de alimentos e a possível revisão da cesta de consumo pelo IBGE também contribuem para o quadro.
Megale pontuou que o fim da escala de trabalho 6x1 pode gerar custos adicionais para empresas, elevando os preços de serviços no curto prazo. Tais elementos dificultam a tarefa do Banco Central em manter a inflação na meta de 3%. Sobre a política monetária, o economista projeta um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, mas defende que a instituição sinalize cautela para uma possível interrupção dos cortes em dezembro.

Ele argumenta que, embora a atividade econômica apresente sinais de desaceleração no varejo e na indústria, com risco de PIB negativo no terceiro trimestre, as expectativas de inflação seguem em trajetória ascendente. O cenário de juros reais elevados, entre 13% e 13,5%, é visto por ele como um ponto de atenção, mas a persistência de choques inflacionários sugere uma postura de espera por parte da autoridade monetária. Em relação aos combustíveis, o economista avalia que a manutenção de preços abaixo da paridade internacional é insustentável caso o petróleo se estabilize acima de 100 dólares, embora o aumento da arrecadação com a commodity ajude a financiar subsídios no momento.
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