Derrite acusa adversárias ao Senado de “incoerência e oportunismo” após atritos com PT
O candidato ao Senado pelo estado de São Paulo Guilherme Derrite (PP-SP) participou do programa Café com a Gazeta do Povo desta quarta-feira (16), dentro da série de entrevistas que o jornal está real...

O candidato ao Senado pelo estado de São Paulo Guilherme Derrite (PP-SP) participou do programa Café com a Gazeta do Povo desta quarta-feira (16), dentro da série de entrevistas que o jornal está realizando neste período eleitoral. Reeleito deputado federal pelo PL em 2022, Derrite retornou ao Progressistas para disputar uma vaga ao Senado depois de ocupar o cargo de secretário de Segurança Pública na gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Policial militar da reserva, Derrite comandou patrulhas da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) entre 2010 e 2013 e fez da segurança pública a principal bandeira ao entrar na política.
Em 2018, ele concorreu nas urnas pela primeira vez e foi eleito deputado federal. Questionado sobre as candidaturas concorrentes das ex-ministras do governo Lula, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), Derrite afirmou que o fato da dupla ter origem política em outro estado não desqualifica as candidatas, citando o exemplo do principal aliado dele, o governador paulista. No entanto, ele fez a ressalva que Tarcísio escolheu o estado de São Paulo para disputar pela primeira vez as eleições, apesar da origem no Rio de Janeiro, enquanto as candidatas da esquerda foram “expulsas” dos respectivos estados, na opinião do candidato do PP.
Marina Silva trocou o Acre por São Paulo e Tebet fez a troca do domicílio eleitoral, deixando o estado do Mato Grosso do Sul. “Elas foram rechaçadas pelos seus estados por conta da incoerência. No passado recente, acusaram o Lula de maneira correta.
O fato de terem feito parte de um governo corrupto, reconhecido assim inclusive por elas no passado, desqualifica as candidatas, não a origem delas. O problema é a forma como elas foram rechaçadas e escolheram São Paulo de maneira oportunista”, criticou Derrite. O ex-secretário de Segurança Pública admitiu que a escolha do PL pelo companheiro de chapa, o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL-SP), foi mais por uma questão pragmática do que ideológica.
Derrite voltou ao PP no ano passado e foi lançado como candidato ao Senado, na articulação com o PL e com o Republicanos na aliança pela reeleição de Tarcísio de Freitas. “Eu entendo que temos um inimigo maior nesta eleição, que são as candidatas da esquerda”, respondeu. As candidatas Marina Silva e Simone Tebet foram procuradas pela Gazeta do Povo, por meio das assessorias de campanha sobre as declarações de Derrite.
Marina não irá se manifestar. Não houve retorno da assessoria de Tebet. Derrite também foi questionado sobre a maior crise enfrentada por ele durante a gestão da segurança pública em São Paulo após a morte de Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O empresário, acusado de lavagem de dinheiro para o crime organizado, foi executado na saída do Aeroporto de Guarulhos, em novembro de 2024, sob escolta privada feita com a participação de policiais militares. O caso aprofundou a investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre a infiltração do PCC nas forças de segurança pública com a corrupção de policiais. “Quem prendeu esses criminosos que trabalhavam ilegalmente para esse criminoso que lavava dinheiro para o PCC fomos nós.
Foi a Corregedoria da Polícia Militar que fez todo esse trabalho de depuração interna, que prendeu esses criminosos travestidos de policiais”, declarou. Derrite disse que deu autonomia para as corregedorias das polícias Militar e Civil atuarem com independência, o que justifica o aumento de casos no período em que chefiou a pasta da Segurança Pública em São Paulo. Além disso, o candidato afirmou que a Secretaria de Segurança Pública foi a responsável por desenhar o plano estratégico que colocou um fim na cracolândia no centro de São Paulo.
Ele rebateu a informação de que os usuários da cracolândia migraram para outras regiões da capital e criaram novas áreas para uso aberto de drogas. “Mais de 33 mil dependentes químicos foram tratados no hub de atendimento contra o crack e outras drogas e nas mais de 40 clínicas terapêuticas no estado”, afirmou. Segundo Derrite, a partir da operação Downtown foi possível mapear o “ecossistema” da cracolândia com o fornecimento de drogas para a região e identificação dos locais para o consumo.
De acordo com o ex-secretário de Segurança Pública, o fluxo de dependentes foi usado para depreciação imobiliária e o PCC passou a comprar os imóveis na região central. “Após a chegada da droga ao bunker do PCC que era a Favela do Moinho, ela era distribuída em 78 hotéis e hospedarias no centro com tripla função: armazenar as drogas, fornecer os espaços para os usuários e lavar dinheiro com o CNPJ dos hotéis”, detalhou. Derrite afirmou que o Senado Federal tem a obrigação de colocar um freio no Supremo Tribunal Federal (STF) e criticou o corporativismo da Corte na tentativa de proteger o ministro Alexandre de Moraes.
O candidato também fez críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (PP-AP), pela blindagem dos ministros do Supremo na Casa Alta. O senador amapaense é o responsável pela pauta de votação e tem barrado a discussão sobre a cassação de ministros no plenário. “Lamentavelmente, nós temos o Alcolumbre sentado em cima de 109 pedidos de impeachment”, disse.
Questionado sobre as acusações de ligações com Daniel Vorcaro contra o presidente nacional do Progressistas, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), Derrite respondeu que só pode responder sobre a conduta dele mesmo e afirmou que, infelizmente, existem denúncias contra filiados em todos os partidos no Brasil. “Eu assinei todos os pedidos de instauração de CPI e CPMI do Banco Master. Eu nunca conversei com esse bandido chamado Daniel Vorcaro.
Esse cara tem que apodrecer na prisão. E o Congresso deveria ter instaurado a investigação para deixar claro quem tem culpa e quem não tem”, respondeu. Ao fim da entrevista, Derrite foi questionada se é "a favor" ou "contra" temas diversos, e foi convidado a opinar em poucas palavras sobre alguns temas.
As respostas foram: A Gazeta do Povo promove, no seu canal do YouTube, uma série de entrevistas com candidatos ao Senado nos estados do Paraná e de São Paulo. São convidados todos os candidatos cujos partidos contam com representatividade mínima no Congresso Nacional. As entrevistas têm duração de 45 minutos e são realizadas ao vivo, no horário das 9h15 às 10h, dentro do programa Café com a Gazeta do Povo.
As entrevistas são veiculadas no canal da Gazeta do Povo no YouTube e no site do jornal.
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