Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

De colônia de imigrantes a potência industrial: os 500 anos que transformaram a economia de Santa Catarina

Colonos açorianos chegaram ao litoral catarinense há quase 500 anos para pescar e plantar mandioca de subsistência. Cinco séculos depois, a mesma faixa de terra concentra fábricas centenárias, portos ...

Por Reprodução08/08/2026 às 12:003 min de leitura
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De colônia de imigrantes a potência industrial: os 500 anos que transformaram a economia de Santa Catarina
Imagem: Reprodução

Colonos açorianos chegaram ao litoral catarinense há quase 500 anos para pescar e plantar mandioca de subsistência. Cinco séculos depois, a mesma faixa de terra concentra fábricas centenárias, portos com rota direta à Europa e uma das economias mais competitivas do país — um resultado que nenhuma daquelas primeiras vilas foi fundada para produzir. Em junho deste ano, uma decisão unânime da 2ª Câmara de Direito Comercial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina afastou a falência da Teka, indústria têxtil centenária de Blumenau (SC), e garantiu a continuidade das operações da empresa em regime de recuperação judicial.

A companhia, que chegou a acumular dívidas de bilhões de reais e passou mais de uma década sob intervenção judicial, projeta faturar cerca de R$ 550 milhões em 2026, um valor que há poucos anos parecia fora de alcance. Em meio a esses números está uma fábrica que nunca parou de produzir e um esforço de reorganização que inclui acordo trabalhista de cerca de R$ 70 milhões com mais de 2,3 mil trabalhadores e ex-trabalhadores, além da venda de imóveis e unidades desativadas para quitar dívidas acumuladas desde o início da recuperação judicial em 2012. “A força da marca se provou muito resiliente, uma empresa que sobreviveu 100 anos, pelos menos 20 anos passando por dificuldades”, resume o diretor-executivo da Teka, Rogério Marques, ao lembrar que quase mil pessoas trabalham na companhia, mais de 600 delas que lá estão há mais de duas décadas.

O caminho percorrido pela tecelagem, que quase fechou as portas e hoje tenta voltar a liderar o mercado de cama, mesa e banho, ajuda a ilustrar um quadro mais amplo. Santa Catarina chega aos seus 500 anos sob o título de segundo estado mais competitivo do Brasil, líder em capital humano e segurança pública e em ascensão nos pilares de potencial de mercado e inovação, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados 2025. Ao mesmo tempo, estudos da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) e a opinião de economistas que analisam a agenda de infraestrutura e transporte apontam que o crescimento da indústria corre à frente da capacidade das rodovias e acessos portuários, em um estado que precisará investir cerca de R$ 57 bilhões até 2029 para evitar um apagão logístico.

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