Como o mercado de camisas falsas da seleção brasileira ignora a lei?
Por Gazeta do Povo Lab Por Luciana Cristo 24/06/2026 às 14:25 A pirataria de camisas da seleção brasileira alcançou patamares bilionários em 2026. A Receita Federal já apreendeu quase 1 milhão de peça...

Por Gazeta do Povo Lab Por Luciana Cristo 24/06/2026 às 14:25 A pirataria de camisas da seleção brasileira alcançou patamares bilionários em 2026. A Receita Federal já apreendeu quase 1 milhão de peças em operações rotineiras, enquanto a indústria alerta que um terço de todo o mercado esportivo nacional é movido por produtos falsificados. O prejuízo é enorme e afeta toda a economia.
A pirataria representa 34% do mercado esportivo brasileiro, gerando um prejuízo potencial de R$ 31,8 bilhões para o setor formal. Somente no segmento de camisas de futebol, o rombo estimado é de R$ 3,6 bilhões. Além disso, o país deixa de arrecadar cerca de R$ 7,4 bilhões em impostos que poderiam ser revertidos em serviços públicos através dos tributos não recolhidos.
O principal motivo apontado por 69% dos consumidores é o preço elevado do produto oficial. A alta carga tributária no Brasil, o chamado 'custo Brasil', faz com que impostos superem metade do valor final de uma camisa importada. No entanto, o barato pode sair caro: o comprador recebe uma peça de baixa durabilidade, sem qualquer garantia ou canal de reclamação, e ainda corre riscos de saúde devido aos produtos químicos usados no tingimento.
A imagem do vendedor ambulante de esquina é apenas a ponta do iceberg. A pirataria está conectada a organizações criminosas complexas envolvidas em lavagem de dinheiro e sonegação. A maior parte das mercadorias vem de fora do país e entra por portos e aeroportos, muitas vezes escondida em cargas lícitas.
Atualmente, o grande desafio é o comércio digital, com marketplaces e redes sociais facilitando a venda direta ao torcedor. Grandes eventos esportivos funcionam como um combustível para os falsificadores. Durante o Mundial, há um efeito de substituição no consumo: o torcedor deixa de comprar camisas de clubes nacionais para buscar a 'amarelinha'.
Esse aumento súbito na demanda aquece a produção clandestina e as importações irregulares, aproveitando o apelo emocional e a moda do momento para escoar estoques de réplicas. Existem dois caminhos principais. Sempre que possível, a Receita Federal tenta descaracterizar o produto, removendo marcas e símbolos que violem direitos de propriedade intelectual.
Após esse processo, as peças limpas podem ser encaminhadas para doação. Caso a remoção desses elementos não seja viável tecnicamente, a mercadoria é totalmente destruída para garantir que itens ilegais não voltem a circular no mercado. Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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