Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Como agricultores brasileiros construíram gigantes globais

Em 1970, Campo Mourão (PR) tinha cinco tratores e era conhecida como "terra dos 3S: sapé, samambaia e saúva". Hoje, a Coamo — fundada ali por 79 produtores — tem R$ 13,3 bilhões de patrimônio e distri...

Por Reprodução28/02/2026 às 18:004 min de leitura
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Como agricultores brasileiros construíram gigantes globais
Imagem: Reprodução

Em 1970, Campo Mourão (PR) tinha cinco tratores e era conhecida como "terra dos 3S: sapé, samambaia e saúva". Hoje, a Coamo — fundada ali por 79 produtores — tem R$ 13,3 bilhões de patrimônio e distribui R$ 716 milhões por ano aos cooperados. É um dos maiores exemplos de como o cooperativismo brasileiro transformou pequenos agricultores em gigantes do agronegócio global.

No Brasil, 1.172 cooperativas agropecuárias movimentam R$ 438,2 bilhões por ano e empregam 268 mil pessoas, conforme dados da versão mais recente do Anuário Brasileiro do Cooperativismo, da Organização das Cooperativas do Brasil (Sistema OCB). Elas controlam 53% da originação de grãos, produzem 80% da carne suína e colocam três nomes entre as maiores empresas do agro: "Os dados do anuário evidenciam a força estrutural do cooperativismo agropecuário brasileiro: produtores que, ao se organizarem em rede, conseguem ganhar escala, agregar valor, acessar tecnologia e competir em mercados cada vez mais exigentes.

Não por acaso, muitas dessas cooperativas se tornaram referências globais em segmentos como grãos, carnes e lácteos", afirma a presidente-executiva do Sistema OCB, Tania Zanella. Outro levantamento, da agência de marketing digital Macfor, aponta impacto decisivo do cooperativismo no agronegócio brasileiro. De acordo com a pesquisa, o setor responde por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, impulsionado pela atuação das cooperativas.

Em 2025, o PIB do Brasil atingiu em 12,63 trilhões. Segundo o mais recente Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as cooperativas respondem por 53% da originação nacional de grãos e fibras. Além disso, sistemas cooperativos produzem cerca de 80% da carne suína brasileira.

Na elencagem de rankings, a Forbes Brasil mostra que as 100 maiores empresas e cooperativas do agronegócio faturaram R$ 1,886 trilhão em 2024. O resultado indica crescimento de 3,3% em relação ao ano anterior. O levantamento reúne cooperativas, grupos empresariais e companhias de capital aberto e fechado que sustentam as principais cadeias produtivas do país.

A publicação anual utiliza indicadores financeiros, sobretudo a receita líquida, para dimensionar o peso estratégico do setor, e destaca as três cooperativas com maior faturamento no país. Listada como a maior cooperativa do agro no Brasil na lista Forbes, a Copersucar surgiu em 1º de julho de 1959, no estado de São Paulo. Dez usinas de açúcar e duas cooperativas regionais, Coopira e Coopereste, criaram a então Cooperativa de Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo.

Em 2008, a organização adotou o nome Copersucar S.A., mudança que buscou organizar, fortalecer e ampliar a comercialização de açúcar.

Na safra 2024/2025, a cooperativa registrou receita líquida de R$ 62,3 bilhões, alta de 15,3%. O lucro líquido alcançou R$ 402 milhões, avanço de 43%. O resultado refletiu o recorde de exportações de açúcar, o forte crescimento na distribuição de etanol, sobretudo no mercado norte-americano, e o desempenho da logística, que operou a plena capacidade.

A Copersucar comercializou 15,6 milhões de toneladas de açúcar na safra. As exportações cresceram 21,4%. No etanol, a companhia comercializou 19,1 bilhões de litros.

As vendas nos Estados Unidos avançaram 23,4%, impulsionadas pela entrada de novas destilarias parceiras, que passaram de 17 para 26. O movimento garantiu 15% de participação no mercado doméstico norte-americano de etanol. “O objetivo é, num prazo de cerca de 10 anos, a Copersucar agregar a produção de 2 a 4 milhões de m³ de biometano por dia", projeta o presidente da Copersucar, Tomás Manzano.

A empresa continua de olho em oportunidades com o biogás e biometano, segmento em que começou a estruturar uma comercializadora para capturar as oportunidades desse mercado emergente, conforme acrescenta o presidente da Copersucar.

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