Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Como a atemoia destronou a fruta-do-conde e ganha espaço no mercado brasileiro

Atemoia. O nome ainda provoca alguma estranheza porque, na aparência, a fruta lembra muito a fruta-do-conde, ou pinha. Seria apenas a mesma fruta com outro nome? Não exatamente. A atemoia é um híbrido...

Por Reprodução11/07/2026 às 12:002 min de leitura
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Como a atemoia destronou a fruta-do-conde e ganha espaço no mercado brasileiro
Imagem: Reprodução

Atemoia. O nome ainda provoca alguma estranheza porque, na aparência, a fruta lembra muito a fruta-do-conde, ou pinha. Seria apenas a mesma fruta com outro nome?

Não exatamente. A atemoia é um híbrido, resultado do cruzamento entre a pinha e a cherimoia, fruta da mesma família, de origem andina, adaptada a regiões de altitude e clima mais ameno e pouco vista no mercado brasileiro. O nome nasceu dessa mistura.

“Ate” vem de um antigo termo associado à pinha, enquanto “moia” vem de cherimoia. Os primeiros experimentos com a fruta são atribuídos ao horticultor sueco-americano Peter Jansen Wester, no laboratório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em Miami, em 1908. A ideia era unir o sabor e a resistência ao frio da cherimoia à produtividade e à adaptação ao calor da pinha.

No Brasil, a atemoia chegou aos pomares na década de 1960 e encontrou um caminho menos difícil porque a pinha já fazia parte da memória alimentar de muitas regiões. A espécie não é originalmente brasileira, mas sua introdução no país é associada ao Conde de Miranda, na Bahia, ainda no século XVII, origem do nome fruta-do-conde em parte do Brasil. A atemoia ganhou presença nas últimas décadas justamente por parecer familiar sem ser igual.

A diferença fica mais clara quando se olha a fruta de perto. Na pinha, os gomos são mais salientes e chegam a se abrir quando ela amadurece. A atemoia tem superfície mais uniforme, formato mais próximo de um coração e costuma ser maior e mais pesada.

A polpa também muda: é mais firme, não se desfaz com tanta facilidade, tem menos sementes proporcionalmente e combina doçura com uma leve acidez. Para quem vende, porém, o interesse não se limita ao paladar. A fruta resiste melhor ao transporte, permanece em condição de venda por mais tempo e reduz um risco conhecido de qualquer hortifruti: fruta que se perde antes de ser comprada vira prejuízo.

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