Cidade de 27 mil habitantes fica à frente de Balneário Camboriú na busca por imóveis de alto padrão
Balneário Piçarras, município de cerca de 27 mil habitantes no litoral norte de Santa Catarina, ficou à frente de Itapema e de Balneário Camboriú na procura por imóveis de alto padrão no primeiro trim...

Balneário Piçarras, município de cerca de 27 mil habitantes no litoral norte de Santa Catarina, ficou à frente de Itapema e de Balneário Camboriú na procura por imóveis de alto padrão no primeiro trimestre de 2026. A cidade aparece na 41ª posição nacional do Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil), enquanto Itapema ocupa a 51ª e Balneário Camboriú, a 60ª — uma inversão de hierarquia entre municípios separados por menos de 50 quilômetros de BR-101. O índice é produzido pelo Ecossistema Sienge, por meio da plataforma CV CRM, com metodologia do Grupo Prospecta e parceria institucional da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Ele mede intenção de compra, e não tamanho de mercado: Piçarras não passou a lançar mais, nem a vender mais caro que as vizinhas. O que o recorte capta é interesse relativo dentro de um segmento específico, o de compradores com renda acima de R$ 24 mil e imóveis a partir de R$ 811 mil. É justamente aí que a distância entre as três cidades encolheu.
Durante duas décadas, quem buscava alto padrão na região tratava Balneário Camboriú e Itapema como resposta automática. O avanço dos preços e da verticalização nesses dois mercados empurrou parte da procura para cidades em estágio anterior de ocupação e Piçarras, com orla ainda pouco adensada e projetos novos, entrou na conta. "Piçarras deixou de ser uma opção periférica e passou a fazer parte da primeira rodada de análise de muitos compradores", afirma Laurício Leal, sócio-proprietário da Imobille, uma das maiores imobiliárias do litoral norte catarinense.
Segundo ele, a cidade aparece tanto como escolha inicial de quem procura um ambiente mais tranquilo quanto como destino que ganha protagonismo durante a comparação com Itapema, Balneário Camboriú, Itajaí e praias do Paraná. O perfil observado na carteira da imobiliária ajuda a explicar por que a procura não se comporta como demanda de veraneio. Um perfil de compradores identificado concentra-se entre moradores de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e do Centro-Oeste brasileiro, na faixa dos 35 aos 60 anos, em boa parte proprietários de outros imóveis.
"A segunda residência continua muito forte, mas moradia definitiva e investimento vêm ganhando participação de forma consistente", avalia o corretor, que atribui o movimento ao trabalho remoto e à melhora da infraestrutura regional. Essa procura mais permanente altera o que se constrói na cidade e o resultado começa a aparecer nas obras entregues. Um caso recente é o The Wave, da Vetter Empreendimentos, entregue em maio no bairro Itacolomi.
São 48 unidades em 19 pavimentos, 11,2 mil metros quadrados de área construída e plantas de três suítes que chegam a 170,90 m² de área privativa. Segundo a incorporadora, o empreendimento tem Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 84,7 milhões, foi comercializado integralmente e acumula valorização média anual de 20,4% desde o lançamento, no terceiro trimestre de 2021. Os dados são da própria empresa e não constam do índice.
"O comprador entendeu que a cidade reúne localização, infraestrutura, proximidade do mar e uma margem de valorização relevante quando comparada a mercados vizinhos mais consolidados", afirma Maicon Oliveira, sócio e diretor comercial e de operações da Vetter. O prédio foi entregue com infraestrutura para carros elétricos nas garagens e estação de recarga para scooters, item que, segundo o executivo, deixou de ser diferencial no segmento.
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