Caracas registra queda na criminalidade sob métodos violentos
A taxa de homicídios em Caracas despencou nos últimos anos, impulsionada por ações policiais violentas e pela migração em massa.

A capital da Venezuela registra uma queda drástica nos índices de criminalidade urbana nos últimos anos. A taxa de homicídios despencou, enquanto assaltos e sequestros práticos desapareceram do cotidiano da cidade. Visitantes e moradores relatam uma sensação de segurança incomum para uma região que já figurou entre as mais violentas do mundo, com o retorno de atividades noturnas e passeios públicos.
A melhora nos indicadores de segurança pública contrasta com os métodos utilizados pelas forças de Estado. Investigadores das Nações Unidas apontam que esquadrões policiais executaram milhares de jovens pobres em áreas periféricas, sob a justificativa oficial de resistência à autoridade. Entre 2018 e 2019, o governo registrou milhares de mortes em operações de forte presença militar, o que levou a investigações internacionais por parte do Tribunal Penal Internacional.

Especialistas e moradores atribuem a transformação urbana não apenas às ações letais de segurança, mas também a fatores econômicos e sociais. A migração em massa de milhões de venezuelanos reduziu a presença de integrantes de gangues armadas no país. Além disso, a adoção informal do dólar e o avanço dos pagamentos eletrônicos diminuíram a circulação de dinheiro em espécie, cortando a motivação para assaltos e sequestros-relâmpago.
Especialistas em segurança pública questionam os dados divulgados pelo governo local sobre o índice de homicídios. Em janeiro, a liderança do país afirmou que a taxa caiu para 3 mortes por 100 mil habitantes, mas o governo não apresentou estatísticas oficiais detalhadas para comprovar o número. O Tribunal Penal Internacional mantém investigações sobre as denúncias de abusos cometidos pelas forças policiais durante as operações de combate ao crime.
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