Domingo, 4 de outubro de 2026

Capital do gengibre luta para resgatar herança dos japoneses e protagonismo rural

Os imigrantes japoneses trouxeram a cultura do gengibre para Tapiraí (SP) no início do século XX. A raiz, originária da Ásia, possui ampla aplicação nas indústrias gastronômica, alimentícia e farmacêu...

Por Reprodução23/08/2026 às 18:002 min de leitura
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Capital do gengibre luta para resgatar herança dos japoneses e protagonismo rural
Imagem: Reprodução

Os imigrantes japoneses trouxeram a cultura do gengibre para Tapiraí (SP) no início do século XX. A raiz, originária da Ásia, possui ampla aplicação nas indústrias gastronômica, alimentícia e farmacêutica. O município de 8 mil habitantes, localizado na região de Sorocaba, ostentou no passado o título de "capital do gengibre".

Contudo, a produção local caiu nas últimas décadas devido a doenças, falhas de manejo, êxodo rural e falta de sucessão familiar. Para reverter esse cenário, um grupo de agricultores locais fundou uma associação para aumentar a produção e a qualidade do gengibre em busca de novos mercados. O presidente da associação, Hélio Tiago de Oliveira, iniciou o trabalho com a cultura aos 13 anos como empregado de produtores japoneses.

Ele retornou a Tapiraí há dez anos, após um período na capital paulista, e investiu no segmento. Oliveira começou a atividade em uma área pequena de terra arrendada e expandiu a produção para 3,6 hectares, passando a atender à demanda da indústria local. A expectativa para esta safra indica uma colheita entre 5 mil e 8 mil caixas de 14 quilos.

"Precisamos melhorar o manejo, cuidar mais do solo, desenvolver variedades mais resistentes a doenças e aumentar a produtividade para tentar acessar também o mercado externo", explica Oliveira. O presidente da associação relata que a região abrigava mais de 50 produtores japoneses, mas os descendentes migraram para outras atividades ou deixaram o campo. Atualmente, o município reúne entre 30 e 40 pequenos produtores.

"Vamos expandir a produção. Já estamos conversando com compradores de Israel e Argentina", projeta Oliveira. O Instituto Agronômico (IAC) fornece apoio científico e capacitação para a melhoria do manejo, a conservação do solo, o desenvolvimento de variedades resistentes e o incremento da produtividade.

Oliveira produz as próprias mudas por meio da seleção das melhores plantas do ciclo anterior. O processo de lavagem e classificação ocorre em um barracão próprio, futura sede da associação. Sob a orientação do IAC, o agricultor adotou a análise e a correção do solo, a adubação técnica recomendada e o uso de produtos biológicos para a proteção da lavoura.

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