Brasil volta a registrar dívida externa líquida após 19 anos
Dados do Banco Central apontam que o país encerrou o período como devedor internacional, com saldo negativo de 5,1 bilhões de dólares em 2026.

O Brasil retornou à condição de devedor internacional em 2026, encerrando um ciclo de 19 anos em que o país se manteve como credor. Números divulgados pelo Banco Central mostram que a dívida externa atingiu 407,1 bilhões de dólares, superando o montante de 402 bilhões de dólares em reservas internacionais. O resultado representa uma dívida externa líquida de 5,1 bilhões de dólares.
Durante a atual gestão do governo Lula, o estoque da dívida externa apresentou um crescimento de 27,4%, enquanto as reservas tiveram uma expansão de 15,8%. Especialistas observam que o cenário atual ainda não gera alertas imediatos para agências de classificação de risco, uma vez que as reservas cobrem mais de três vezes os vencimentos de curto prazo. Contudo, a persistência de um déficit elevado em transações correntes pode elevar a vulnerabilidade externa, caso ocorra uma saída expressiva de dólares.

O Banco Central realizou, no final de 2024, a maior intervenção cambial desde a adoção do regime de câmbio flutuante, motivada por instabilidades no mercado financeiro relacionadas à política fiscal. O vice-presidente sênior da Moody’s, William Foster, pontuou que a manutenção de juros elevados por longo período e a credibilidade da condução fiscal impactam a capacidade do governo em gerenciar o custo da dívida. Por outro lado, o diretor sênior da Fitch Ratings, Todd Martinez, destacou que o Brasil mantém colchões externos robustos e baixa dependência de mercados em moeda estrangeira.
Atualmente, o país está posicionado a um degrau do grau de investimento pela Moody’s e a dois degraus pelas agências Fitch e S&P Global.
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