Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Brasil lidera força-tarefa inédita da Interpol contra crime organizado na América do Sul

Em uma iniciativa para tentar conter o avanço do crime organizado transnacional na América do Sul, a Interpol escolheu o Brasil para liderar uma força-tarefa regional inédita, integrada por polícias e...

Por Reprodução02/03/2026 às 18:004 min de leitura
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Brasil lidera força-tarefa inédita da Interpol contra crime organizado na América do Sul
Imagem: Reprodução

Em uma iniciativa para tentar conter o avanço do crime organizado transnacional na América do Sul, a Interpol escolheu o Brasil para liderar uma força-tarefa regional inédita, integrada por polícias e órgãos de segurança de todos os países da região, a ser sediada em Buenos Aires, na Argentina. A parceria mira a aliança cada vez mais orgânica entre as facções criminosas brasileiras e os cartéis produtores de drogas colombianos e andinos. A assinatura oficial dos trabalhos ocorreu na última semana no Ministério da Justiça e Segurança Pública, em Brasília.

A força-tarefa, que será financiada e coordenada pelo Brasil, surge como a tentativa de coordenação estruturada mais ambiciosa já colocada em prática na região para combater o fortalecimento dos grupos criminosos e suas parcerias transnacionais, com rotas de tráfico de drogas que conectam os países produtores ao mercado consumidor europeu, asiático e africano, utilizando o território brasileiro como principal corredor logístico para exportação das drogas, principalmente a cocaína. O grupo ficará sediado em Buenos Aires pois na capital argentina já existe um escritório regional ativo e estruturado da Interpol. Apesar disso, toda a coordenação da nova força-tarefa fica a cargo da Polícia Federal (PF) brasileira.

O governo federal também financiará o primeiro ano da iniciativa com um orçamento previsto de R$ 11 milhões. No lançamento do projeto, o ministro da Justiça, Wellington Silva, destacou que a iniciativa é uma expansão do modelo das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), que no Brasil reúnem policiais federais, rodoviários, militares e civis para operações de longo prazo. A proposta agora é transpor esse modelo para uma cooperação policial internacional direta.

"O crime organizado não respeita soberanias”, afirmou o ministro durante a cerimônia de criação da força-tarefa. "Ele opera em rede. Se não criarmos uma rede policial mais ágil que a rede criminosa, estaremos sempre um passo atrás", disse.

Um fator decisivo para a viabilização deste projeto é a atual liderança da Interpol. Pela primeira vez na história, a organização é chefiada por um brasileiro, o delegado da PF Valdecy Urquiza. Sua gestão tem focado em descentralizar as ações da Interpol, com foco no "sul global", onde o tráfico de drogas e armas alimenta índices alarmantes de violência urbana.

Segundo Urquiza, a força-tarefa atuará com policiais selecionados de todos os países sul-americanos. Em março serão selecionados os agentes de cada país, e em maio começam as operações de campo e inteligência. “Após diversas conversas com a área técnica do ministério, chegamos a esse modelo que permitirá uma atuação coordenada com os países da América Latina, principalmente, com foco no enfrentamento ao crime organizado transnacional, especialmente o tráfico de drogas”, disse o secretário-geral da Interpol.

De acordo com ele, a força-tarefa terá acesso direto ao banco de dados mundial da entidade, o que deve facilitar o trabalho de inteligência. Policiais paraguaios, brasileiros e colombianos, por exemplo, trabalharão lado a lado em Buenos Aires, cruzando informações biométricas, registros de apreensões e dados financeiros em tempo real. "Eles vão ser capazes de identificar a presença de ativos dessas organizações e dali gerar inteligência para novas operações criminais.

É um modelo que vai garantir um volume de operações conjuntas muito maior do que o que tem hoje", explica Urquiza. "Esses policiais vão usar bases de dados de seus respectivos países, e da Interpol, para conduzir investigações e, com base nelas, realizar operações internacionais que levem à prisão de lideranças do crime organizado que atuam na região e à apreensão de bens desses criminosos”, declarou Urquiza na assinatura do acordo.

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