Banqueiro diz ter pago R$ 30 milhões para filme sobre Lula em troca de fundos
Daniel Vorcaro relatou pagamento em esquema de repasses a fundos de pensão, mas PGR rejeitou versão por falta de provas.

O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou ter participado de um esquema de pagamentos direcionados a integrantes do Partido dos Trabalhadores com o objetivo de garantir acesso a recursos de fundos de pensão estatais. Segundo reportagem publicada pela revista Veja nesta sexta-feira, o empresário relatou ter destinado R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula para financiar um documentário sobre o presidente. As informações constam de áudios e documentos apresentados pelo executivo em tentativas de firmar acordo de colaboração com as autoridades. O material aponta suposta articulação para permitir que o Banco Master recebesse investimentos de previdência pública.
A Procuradoria-Geral da República não deu andamento ao relato por considerar insuficientes as provas apresentadas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou ter solicitado ou recebido vantagens financeiras e afirmou não ter autorizado terceiros a receber recursos em seu nome. O ministro Alexandre Padilha, também citado na publicação, negou qualquer relação com o banqueiro. A defesa de Vorcaro sustenta que existem registros de entregas e mensagens capazes de corroborar as declarações.
De acordo com o relato, as negociações começaram por intermédio de Augusto Lima, ex-sócio do banco, que teria estabelecido contato com o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Neto. A versão indica que Vaccari exigiu o valor para custear a produção de um documentário dirigido pelo cineasta Oliver Stone. Além disso, o banqueiro relatou a cobrança de uma comissão de 10% sobre os recursos que fossem captados junto a fundos como Previ, Petros e Postalis.
O empresário também mencionou a participação de pessoas ligadas a Alexandre Padilha, incluindo Olavo Noleto, então secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, e um operador identificado como Júlio. Mensagens encontradas pela Polícia Federal indicam que Júlio apresentou o executivo a Noleto e que foram realizados jantares para viabilizar os investimentos. Registros mostram ainda uma transferência de R$ 500 mil ao operador como adiantamento para a liberação dos negócios.
A inclusão do Banco Master na lista de instituições autorizadas a receber investimentos ocorreu em 29 de abril de 2024. Apesar da autorização, o banqueiro afirmou que não conseguiu concretizar as operações pretendidas com os principais fundos federais. Uma tentativa de captar R$ 500 milhões junto à Caixa Econômica Federal foi interrompida em julho do mesmo ano. O único encontro confirmado no Palácio do Planalto ocorreu em 4 de dezembro de 2024, fora da agenda oficial, para tratar da situação da instituição financeira junto ao Banco Central.
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